Marcos NegriniSem dinheiroAlunos protestam em frente ao prédio da reitoria da UEM contra o corte de bolsas do PETEstudantes da Universidade Estadual de Maringá (UEM) fecharam a avenida Colombo - uma das principais vias rápidas da cidade - ontem à tarde, em protesto contra o corte de bolsas do Programa Especial de Treinamento (PET), que é oferecido em diversas universidades de todo país. O corte foi determinado pelo presidente da Coordenadoria de Aperfeiçoamento do Pessoal de Ensino Superior (Capes), Abílio Baeta Neves, e pelo diretor de programas Luiz Valcove Loureiro, e regulamentado através do decreto-lei 2.370, assinado em novembro do ano passado pelo presidente da República, Fernando Henrique Cardoso.
De acordo com o professor do Departamento de Física da UEM, Marcos César Danhoni Neves, o corte vai atingir cerca de dois mil alunos do PET em todo país. Só na UEM, o programa contempla 120 bolsistas e a previsão é de que a metade ficará sem o auxílio de R$ 240,00 mensal este ano por causa dos cortes previstos pelo governo federal. Além do PET, o governo também pretende acabar com as bolsas de mestrado nas universidades de todo país, atingindo diretamente cerca de 600 estudantes.
Os estudantes que participaram do protesto consideram os cortes abusivos. Conforme Neves, o decreto assinado pelo presidente FHC determina a redução em 10% dos investimentos previstos em educação e ciência para 98. ‘‘Os cortes deveriam ser de programas que ainda não foram implantados e não dos programas que já existem e que valorizam o ensino superior’’, disse. Ele atribui ao presidente da Capes a decisão de fazer os cortes das bolsas do PET. ‘‘Nem os professores tutores do programa foram consultados sobre o corte, por isso foi uma decisão de cima para baixo’’, criticou.
O PET foi criado há 20 anos e tem hoje 318 grupos de estudantes em diversas universidades do país. Para participar do programa, o aluno deve ter um ótimo rendimento escolar e passar por um processo de seleção. Ontem à tarde, depois do protesto na avenida Colombo, os estudantes da UEM tiveram uma audiência com a vice-reitora, Neusa Altoé, para quem entregaram um dossiê contendo a produção do PET desde a sua criação na UEM, em 1991. Eles também pretendem participar do manifesto nacional que será realizado em Brasília (DF) no próximo dia 12.

mockup