Londrina - O maior problema enfrentado pelos universitários indígenas é o valor da bolsa que recebem do governo. O valor é de R$ 633, que pode ser 50% maior caso o aluno tenha a guarda de um filho. "Eles não possuem outra renda, e além de já ser difícil a adaptação deles à vida acadêmica, o valor que recebem não é o suficiente para se manter, e muitos acabam desistindo", afirma o presidente Comissão Universidade para os Índios (Cuia) da UEL, Wagner Amaral.
Estudante do 3º ano de Administração na UEL, Alexsandro da Silva Alves, de 26 anos, da etnia Guarani, conta que ingressou na instituição em 2008, mas ainda não conseguiu concluir os estudos porque percebeu que "não tinha o mesmo nível de estudo dos colegas". "Eles acham que porque estamos morando na cidade possuímos tablets ou celulares e que nosso nível educacional, social e mesmo de estudo é o mesmo que o dos outros alunos. Eles estão muito na frente. Os professores precisavam entender isso", desabafa.
Segundo Alves, a maioria dos alunos indígenas estuda nas aldeias e depois em escolas estaduais de cidades pequenas. E que muitos professores não estão preparados para lidar com os indígenas.
Depois de morar a vida toda na Aldeia Pinhalzinho, em Tomazina (Norte Pioneiro), Alves estranhou a rotina da vida acadêmica. "E não só isso. Morar na cidade mesmo é muito novo para mim, a gente fica bem perdido." Mesmo com todas as dificuldades, o jovem garante que vai concluir a graduação. "Não vou desistir. Moro em uma casa alugada com minha mulher, cunhada e outros parentes, por uma questão financeira mesmo. Mal conseguimos nos manter, mas eu quero ter minha formação e ajudar meu povo", afirma Alves, cuja mulher Valéria está no quarto ano de Medicina. (P.B.O.)

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