A falta de dinheiro para pagar o ônibus e comprar material são responsáveis por quase três anos de atraso na vida escolar de Tiago. Aos 12 anos ele cursa a terceira série do ensino fundamental numa escola municipal de Londrina. A vida escolar do garoto oscila de acordo com a situação financeira dos pais, que vivem na montanha-russa do emprego e desemprego. A prefeitura pretende implantar em maio um programa que atende a crianças como Tiago, o chamado bolsa-escola.
Tiago, que já passou períodos sem poder ir para a escola, hoje está frequentando as aulas, mas sua mãe Ivonete de Jesus Cipriano, 36 anos, não sabe quanto tempo isso vai durar. Ela e o marido estão desempregados e vivem dos ‘‘bicos’’ que ele faz. Mas Ivonete não se ilude com um futuro emprego do marido. ‘‘Mesmo quando ele está trabalhando o que ganha dá só para comer e pagar as contas de água e luz.’’ Resultado: Tiago vai a pé para a escola e não tem material escolar.
A realidade de Tiago não é diferente de milhares de crianças que pertencem às 41.016 famílias de Londrina que sobrevivem com dois salários mínimos. Além de vagas nas escolas, o acesso à educação depende de estas milhares de famílias conseguirem sair da condição de pobreza absoluta.
Através do programa bolsa-escola, que será implantado em maio sob a coordenação das secretarias de Ação Social e Educação, a Prefeitura de Londrina pretende amenizar o problema. Cerca de 300 famílias com renda per capita inferior a meio salário mínimo receberão R$ 100,00 e serão inseridas nas diversas políticas sociais do município. Com isto a prefeitura espera atender, de imediato, pelo menos 600 crianças com idades de 6 a 15 anos.
O projeto não visa apenas o apoio financeiro. A secretária de Ação Social, Maria Luiza Rizotti, explica que o objetivo é atender às famílias, durante dois anos, em diversos âmbitos, para que desenvolvam condições de sair do estado de pobreza e se manter sozinhas.
Para isto as famílias farão parte de um plano de desenvolvimento familiar e serão atendidas de acordo com suas necessidades nas políticas sociais de saúde, cultura, esporte, e serão inseridas em programas de geração de renda, capacitação profissional, orientação alimentar e outros.
‘‘Por exemplo, se a família tem um alcoolista, ele será encaminhado para um programa específico, a mãe analfabeta irá para um curso de alfabetização de adultos’’, explica. As famílias serão acompanhadas pela assistente social do bairro em que moram e no final do primeiro ano passarão por uma avaliação. A secretária de Ação Social afirma que a participação no programa só será suspensa se as crianças não estiverem frequentando a escola.
‘‘A criança do bolsa-escola participará das aulas como outra criança qualquer, porém a direção da escola enviará um relatório mensal sobre a frequência às aulas’’, explica Maria Luiza Rizotti. Uma das grandes dificuldades do programa citada pela secretária é a falta de recursos financeiros diante de uma demanda muito superior às 300 bolsas.
Das 41.016 famílias que deveriam ser inseridas no projeto, a prefeitura terá condições de atender apenas duas mil em quatro anos. No primeiro ano serão investidos R$ 360 mil com verba do Fundo Municipal de Assistencia Social. Para aumentar o atendimento, a prefeitura lançará uma campanha de fomento ao Fundo Municipal de Direitos da Criança e do Adolescente.
A idéia é levar a sociedade a depositar no fundo um percentual da contribuição de imposto de renda (6% pessoa física e 1% pessoa jurídica). A secretária explica que, como a demanda é muito maior do que a disponibilidade de bolsas, outros 10 critérios além da renda per capita serão utilizados.
Famílias com crianças desnutridas, famílias que são mantidas apenas pela mãe ou pelo pai desempregado, famílias cujo responsável estiver desempregado devido à deficiência física ou doença crônica, terão prioridade. Além de um relatório social, as famílias serão escolhidas com base no trabalho que vem sendo realizado por 15 assistentes sociais em 30 bairros de Londrina.

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