Bolsa de mulheres é alvo dos ladrões
Andar por determinadas ruas da cidade com bolsa se tornou um perigo constante para as mulheres, que têm sido alvo de roubos praticados por motoqueiros rotineiramente. De acordo com números da 10ª Subdivisão Policial (SDP) de Londrina, no mês de maio, foram registrados 23 furtos desta natureza. Até 20 de junho, já haviam sido registrados 12 casos.
Segundo informações do delegado-adjunto da SDP, Acácio Gonzaga de Azevedo, os pontos mais visados são as ruas com menos movimento de pedestres, como nas redondezas do Terminal Rodoviário e da rua Rio Grande do Norte, ambos na região central. Também de acordo com o delegado, os horários preferidos dos ladrões são o início da noite.
Arquivo FolhaFlagranteO delegado Acácio de Azevedo: registro ocasionalMas não é só em locais ermos e em horário definido que o perigo existe. A professora Márcia Maria Venturelli, 34 anos, foi assaltada em plena tarde na Avenida Rio de Janeiro (centro), numa hora de grande movimento. Ela estava de carro, com vidro do lado do passageiro semi-aberto. Um motoqueiro enfiou a mão, pegou a bolsa e ainda manobrou a moto e saiu na contramão, relata.
Márcia havia parado no sinaleiro, quando notou que uma moto tinha estacionado muito próximo de seu carro. Imediatamente, ela pediu para a filha de oito anos, que estava no banco de trás, fechar o vidro. Mas não teve tempo de fechar o vidro da frente. Foi tudo muito rápido.
Paulo WolfgangAlertaA juíza Lídia Maejima: vítima de cavalo loucoHoje, ela diz que toma cuidado redobrado e à noite só sai de casa se for necessário. Meus filhos também ficaram traumatizados. Sempre que nós saímos de casa, eles pedem para fechar o vidro e travam as portas do carro. A sensação de ser roubada é terrível.
Apesar do susto, no caso de Márcia Vitorelli o prejuízo financeiro não foi grande. A bolsa dela foi encontrada um dia depois com todos os documentos, dinheiro e talões de cheque. O ladrão levou apenas doces que ela havia comprado para os filhos e 40 passes de ônibus.
Além de enfiar a mão dentro dos veículos, os ladrões têm outra tática. Eles vêm por trás das vítimas e arrancam suas bolsas violentamente. Este tipo de assalto é denominado, na gíria policial, de cavalo louco. Uma das vítimas deste tipo de roubo foi a juíza criminal Lídia Maejima. Ela foi assaltada na rua Samuel Moura, no jardim Araxá (zona oeste), por volta das 15 horas de um domingo.
A rua estava praticamente vazia. Eu estava próxima à esquina e eles viraram repentinamente. Como vieram por trás, me pegaram de surpresa e quase me derrubaram no chão, lembra. Cerca de um mês após o assalto, os ladrões foram presos. Se tratava de dois moços da classe média alta viciados em cocaína, informa Lídia Maejima.
Na bolsa tinha, além de vários objetos, uma pistola Taurus que foi encontrada nas mãos de um receptador em Primeiro de Maio (61 km ao norte de Londrina). Os talonários de cheque foram recuperados por estarem com todas as folhas cruzadas.
A juíza alerta as mulheres para ficarem atentas a motocicletas que têm vestígios de dobra na placa. É sinal de que há algo errado. Não há motivo para uma pessoa honesta fazer isso. O recurso dificulta a identificação dos números da placa das motos.
Lídia Maejima acrescenta que é bom ficar de olho também nos rapazes que andam de moto com boné, em dupla, e o carona esteja com as mãos vazias. Geralmente, eles andam devagar, procurando uma vítima.
Outra que não escapou do cavalo louco foi a médica Rúbia Yamasita. Há cerca de 10 dias, ela foi assaltada quando andava pela rua Paranaguá, numa manhã de sábado. Ela percebeu que tinha um motoqueiro em trânsito. De repente, ele subiu na calçada e puxou sua bolsa.
Moro em Londrina há 23 anos e nunca tinha passado por uma situação dessas, comenta. Na bolsa, Rúbia Yamasita carregava o mundo, como define. Inclusive seu telefone celular. E foi graças a ele que a médica conseguiu localizar o ladrão e convencê-lo a devolver os documentos. Depois de muita conversa, ele devolveu tudo que estava na bolsa, ficando apenas com R$ 225,00. É horrível passar por isso. Se não houver providências, Londrina vai virar uma cidade insegura tanto quanto São Paulo, compara.
O delegado Acácio acredita que o aumento neste tipo de roubo seja ocasional. Tem fase que há maior incidência de roubos praticados por motoqueiros. Estamos fazendo vários flagrantes de pequenos delitos e a tendência é diminuir este tipo de atuação.
Para mostrar que a polícia está agindo, o delegado cita que no levantamento efetuado dia 17 de junho, havia 270 presos na cidade. A grande maioria, segundo ele, é flagrante de pequeno delito. É nesta estatística que entram os roubos de bolsas, junto com furto de supermercados, farmácias, arrombamentos de casas (quando são levados poucos objetos) etc.
O roubo de bolsas não tem índices alarmantes e muitas vezes o ladrão é preso, observa o delegado. Ele acrescenta que os motoqueiros que roubam bolsas de mulheres nas ruas, geralmente, são novatos no mundo do crime. Como estamos com um policiamento mais ostensivo, além de as prisões estarem sendo efetuadas, acreditamos que o índice deste tipo de delito irá cair.
Enquanto isso não acontece, vale seguir algumas dicas dadas pelo próprio delegado. A primeira delas é evitar andar sozinhas em lugares de pouco movimento. Se isso for impossível e a mulher se deparar com pessoas suspeitas, deve desviar o caminho. Mas se o assalto for inevitável, a vítima não deve reagir e tão logo possa, deve avisar a polícia. Quanto antes formos avisados, mais chances temos de recuperar os objetos roubados, ressalta Acácio de Azevedo.
Outra dica é andar sempre com a bolsa na frente. O delegado conta que ocorrem furtos em que o ladrão abre a bolsa da vítima, tira os objetos e vai embora. E ela nem percebe que foi roubada.Josoé de CarvalhoProteçãoCarregar a bolsa na frente do corpo evita furtosBenê Bianchi





