Curitiba - Crença, tradição e mão na massa. Essa é a receita de sucesso do bolo de Santo Antônio, vendido desde ontem na Paróquia Bom Jesus, em frente a Praça Rui Barbosa, em Curitiba, para comemorar o dia do Santo. Hoje, durante todo o dia, a venda continua. A procura é tão grande que, de três anos para cá, a comercialização teve de ser desmembrada em dois dias.
Este é o 14º ano em que o evento se repete na paróquia. Em cada 13 de junho que passa, o bolo fica maior. Começou com 20 quilos. Este ano, são seis toneladas, recheadas com 1.300 quilos de doce de leite e coberto com 150 quilos de chocolate granulado. Quem faz, garante: é o maior bolo de Santo Antônio do Brasil. ''Procurei na internet. Não há nenhum no Brasil com esse tamanho'', garante Claudionora Conceição do Santos, a coordenadora geral da receita.
O grande atrativo da delícia, porém, não é comestível: seis mil pequenas imagens de Santo Antônio colocadas dentro do bolo enchem de fé os fiéis. A crença diz que quem acha uma medalhinha de Santo Antônio tem um desejo realizado. E não é só casamento, não, como a tradição espalhou. Para Santo Antônio, não há tempo ruim nem pedido que não possa ser realizado, afirma o frei Carlos José Korber, responsável pelo Convento Bom Jesus. ''A veneração a Santo Antônio se tornou tão importante que em diversas situações e necessidades, as pessoas invocam o nome dele'', diz o frei.
As 114 voluntárias que fazem o bolo acreditam nisso como quem paga R$ 2 na fatia do doce na esperança de que no meio da massa, preparada com mil quilos de trigo, mil de açúcar, cem de fermento e 13.560 ovos, esteja a medalha. Por isso, a preparação começa cinco dias antes. Desde o último dia 7, a cozinha da paróquia se tranformou no local onde nasce a receita de fé. ''Olha o trigo! Traz o ovo! Cuidado com a forma quente!'', são os gritos mais comuns nos dias que antecedem o momento em que os fiéis cutucam a massa querendo que Santo Antônio surja em forma de medalha.
É o que diz Claudionora, que participa da confecção do bolo desde o primeiro ano. ''O pessoal vem mais pelo Santo mesmo. Tem gente que não come o bolo se dentro não tem a imagem. As pessoas usam para pedir de tudo: emprego, casamento, saúde, aprovação no vestibular'', diz ela, ex-devota de São Francisco que optou pela doçura de Santo Antônio. A paixão pelo Santo é grande, mas de bolo está enjoada. ''Este ano não comi nenhum pedaço'', confidencia.
O lucro não vem apenas na felicidade e devoção dos fiéis. A renda de mais de R$ 50 mil obtida no ano passado, com a venda de 25 mil fatias, garante o sustento dos projetos sociais da Assitência Social Franciscana. São sete projetos socias beneficiados com o dinheiro da venda do bolo. ''Com o que arrecadamos, ajudamos muitas pessoas nesse projeto'', diz o frei Aldeci Assis Miranda, responsável pela Assistência.
A ponta final do ciclo são os fiéis. É o caso da devota Eliane Nascimento, que comprou 20 fatias de bolo. ''É para a família toda. Sempre peço saúde para todos. A emoção de achar uma medalha é de que o pedido vai se realizar'', diz. Na emoção de falar sobre o Santo, garante que já teve pedidos atendidos em outras ocasiões. ''Já consegui um emprego'', revela. Para quem acredita, ainda dá tempo.

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