Bóias-frias recebem casas em Vila Rural
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domingo, 29 de abril de 2001
Maranúbia Barbosa De Londrina 
A Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar) entregou as chaves das casas da Vila Rural Santa Isabel, no Distrito de Lerroville, em Londrina, para 46 famílias de trabalhadores volantes. Cada família recebeu uma casa de alvenaria de 44 metros quadrados, com pia de cozinha e um tanque de lavar roupa. A área total de cada propriedade é de 5 mil metros quadrados, com água encanada da Sanepar e energia elétrica da Copel. Os vileiros, que terão 25 anos para pagar cerca de R$ 25,00 por mês, poderão cultivar produtos agrícolas para a própria subsistência no terreno, doado pela prefeitura de Londrina. As construções custaram ao governo estadual R$ 600 mil.
De acordo com o gerente da Cohapar, Olavo Roberto de Arruda Campos, depois de quatro anos as famílias podem obter a escritura da casa. Para tanto, elas têm que pagar as prestações em dia e demostrar afinidade com a terra. É aí que entra o critério de escolha das famílias, explicou Campos. Os contemplados com as casas, informou o gerente, provaram que trabalham como bóias-frias, moram no distrito há mais de dois anos e não possuem imóvel. Não é preciso comprovação de renda, afirmou o gerente. Assistentes sociais da prefeitura e técnicos da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) analisaram os cadastros de cerca de 80 famílias de Lerroville, decidindo pelas 47. O critério de desempate, segundo Campos, foi o número de filhos dos vileiros.
O objetivo do programa das Vilas Rurais, segundo Campos, é oferecer uma moradia digna e proporcionar subsídios para a família continuar em contato com a terra. Implantado pelo governo estadual em 1996, o programa já atendeu 11 mil famílias, em 350 vilas no Estado.
O gerente disse que 5% das famílias se sobressaem e conseguem autonomia. A Emater e a secretaria municipal de Agricultura prestam assistência técnica aos vileiros, informou. Em contrapartida, 5% das famílias instaladas acabam desistindo e tendo as casas retomadas. Campos atribui o abandono da vila ao desemprego. Naturalmente, muitas famílias não conseguem se sustentar unicamente com o terreno da vila e continuam trabalhando como bóias-frias, explicou. Outras 90 novas vilas estão sendo construídas no Estado.
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) questiona o fato do programa Vilas Rurais, após cinco anos de existência, ser restrito ao Paraná. Para a coordenação estadual, se as vilas rurais fossem realmente eficazes estariam sendo desenvolvidas no País todo, já que a Caixa Econômica adotou o programa como exemplo a ser recomendado para outros estados.
Segundo o MST, está sendo realizada uma pesquisa nos acampamentos do movimento no interior do Estado para constatar o número de famílias que deixaram as vilas rurais para entrar na fila da reforma agrária. O movimento analisa que o programa se limita apenas à questão da moradia, sem se preocupar com a produção rural.
O programa Vila Rural também é recomendado pela Organização das Nações Unidas (ONU) e já recebeu prêmios pela inovação nos conceitos de habitação popular da Federação Ford, Habitat e Fundação Getúlio Vargas (FGV).


