Bóias-frias invadem área da União e são retirados pela PM
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terça-feira, 23 de julho de 2002
Gilmar Agassi<br> Equipe da Folha 
Santa Tereza do Oeste - Durou aproximadamente 22 horas a invasão praticada por 10 famílias de bóias-frias em uma área de propriedade da União, em Santa Tereza do Oeste (19 km ao sul de Cascavel). Como os invasores não aceitaram negociar, a Polícia Militar, através do Grupo de Operações Especiais (GOE), cumpriu uma determinação do Secretário de Segurança Pública, José Tavares, e os retirou do local no final da tarde de ontem.
Os 25 adultos e as três crianças chegaram na área, onde antes funcionava uma estação de monitoramento do extinto Departamento Nacional de Telecomunicações (Dentel), por volta das 19 horas de anteontem, em um caminhão. No local, eles montaram um acampamento provisório para passar os primeiros dias, até que tivessem condição de levantar algumas casas.
Um dos invasores, José Roberto de Oliveira, disse que todos eram moradores de Santa Tereza e que tomaram a decisão em conjunto devido à falta de emprego. Ele completa que sempre trabalharam na lavoura, mas que nos últimos tempos não conseguiam ganhar mais de R$ 20,00, por semana. ''Nós todos estamos passando fome. Não queremos roubar, queremos trabalhar, mas não tem emprego pra gente'', reclama.
José Roberto conta que os invasores sabiam que a área pertence à União, por causa da divulgação feita pelo prefeito Francisco Menin (PDT), que ofereceu o local para construção do aeroporto regional do Oeste. O município de Santa Tereza entrou com um pedido junto ao Governo Federal solicitando a área, mas até o momento não recebeu a resposta. Além disso, o lavrador garante que ficou sabendo que famílias de outras regiões se preparavam para invadir a área.
No início da tarde, três agentes da Polícia Federal estiveram no local para fazer um levantamento da situação e conversar com os invasores. Após cadastrar todos eles, os agentes retornaram à Foz do Iguaçu. Logo após, os policiais militares que estavam no local receberam a determinação de aguardar o reforço e retirar as famílias.
O tenente-coronel, Antônio Amauri Ferreira de Lima, comandante do 6º BPM, informou que a solicitação para retirada das famílias partiu da Diretoria de Patrimônio da União que entrou em contato com o secretário José Tavares. Na chegada, o GOE mandou que todos se deitassem no chão. Após verificarem que não existia armas de fogo entre os invasores, os policiais determinaram que o acampamento fosse desmontado.
As famílias de bóias-frias e seus pertences foram levados para os bairros onde moravam em Santa Tereza. Para hoje, eles prometem um protesto em frente à prefeitura. O prefeito Francisco Menin afirmou que aqueles que forem ''sérios'' terão emprego. Porém, para o prefeito, a invasão é um ''ato político da oposição''.


