Boias-frias denunciam usina e param
Boias-frias denunciam usina e param
Cortadores de cana trazidos de Minas Gerais afirmam que acordo de salário está sendo descumprido pela Usina Perobálcool
Vânia Moreira
Cerca de 150 cortadores de cana de Minas Gerais contratados para trabalhar para a Usina Perobálcool, em Perobal, (29 km a sudoeste de Umuarama) estão em greve e exigem um acerto de contas para poder voltar ao Estado de origem. Os trabalhadores acusam a usina de tê-los enganado, pagando menos do que foi combinado, e alegam não ter condições de voltar para casa.
A usina teria oferecido R$ 0,12 por metro de cana cortada, mas estaria pagando apenas R$ 0,07, em média. Os bóias-frias estão no alojamento da empresa em Alto Piquiri (42 km a sudoeste de Umuarama). Esta é a primeira vez que a Perobálcool recruta trabalhadores de Minas Gerais. Foram trazidos cerca de 220 trabalhadores de várias cidades do norte mineiro.
Hoje deve chegar à cidade um procurador do Ministério do Trabalho em Curitiba para tentar resolver o problema. A promotora de Alto Piquiri, Mônica Gonçalo, marcou para hoje, no Forum, uma reunião com diretores do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, da Perobálcool e o representante do Ministério do Trabalho para tentar um acordo.
A usina propôs pagar os dias trabalhados, levar os bóias-frias de volta para Minas Gerais e dar mais R$ 50,00 para cada um se alimentar na viagem, mas o grupo não aceitou. Queremos receber o que foi combinado, disse o bóia-fria Edson Soares Cardoso, 22 anos. Morador em Brasieiro de Minas, Cardoso deixou a mulher e um filho para cortar cana no Paraná porque o preço oferecido era atrativo. Quando já estava aqui, descobri que não ia ganhar nem a metade.
Elifas Rodrigues, 39 anos, reclama que está trabalhando há mais de um mês e até agora recebeu apenas um adiantamento de R$ 129,00. Eles não dizem o quanto temos para receber, o que vai ser descontado, não sabemos de nada. A empresa fornece alimentação e alojamento para os trabalhadores.
Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alto Piquiri, Manoel Patrício da Silva, não existe nenhum documento do acordo feito entre a usina e os bóias-frias. A empresa nega que tenha oferecido R$ 0,12 centavos por metro de cana e se recusa a pagar mais para os bóias-frias, disse Silva. Dos cerca de 230 bóias-frias que chegaram há um mês, aproximadamente 10 já foram embora. Outros 70 continuam trabalhando, mas também estariam descontentes. Os 150 que estão sem trabalhar desde a semana passada garantem que não voltam para a lavoura, nem vão embora sem receber o que foi prometido. A Folha procurou os diretores da Perobálcool, mas ninguém quis falar sobre o assunto.





