Santa Tereza do Oeste - Parte do grupo de bóias-frias que invadiu uma área da União, segunda-feira passada, em Santa Tereza do Oeste (19 km ao sul de Cascavel), reuniu-se ontem com o prefeito Francisco Menin (PDT), mas não houve acordo. Os trabalhadores querem uma área para plantar e prometem fazer novas invasões, inclusive, na mesma área, caso o prefeito não lhes ajude a conseguir um pedaço de terra.
A reunião com o prefeito foi bastante tumultada. Os bóias-frias não aceitaram a proposta de Menin para trabalharem em roçadas e limpeza de terrenos na cidade ganhando R$ 12,00 por dia de serviço. Segundo o prefeito, o grupo queria ganhar R$ 25,00 por dia, proposta considerada impossível de ser atendida. Além disso, os lavradores disseram que não sabem trabalhar em outro lugar a não ser no campo. ''Desde criança sempre trabalhamos na roça. Não adianta fazer outra coisa que não sei'', afirmou José Roberto de Oliveira.
Outro bóia-fria, José Pedro de Oliveira, solicitou ao prefeito que intervenha por eles junto ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), para que uma nova vila rural seja criada no município. Ele reclama que se cadastrou junto ao Banco da Terra, programa social do Governo Federal, mas que não obteve qualquer resposta do órgão.
Depois da reunião, os lavradores foram para a frente da prefeitura e disseram aos órgãos de imprensa que caso o prefeito não consiga ''um pedaço de terra'' para eles plantar num prazo de 30 dias, pretendem entrar em contato com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), para organizar um número maior de pessoas e fazer novas invasões. ''Só que dessa vez não vamos em 30. Serão mais de 100 e aí ficará mais difícil para tirar a gente'', ameaçou José Roberto.
O prefeito Francisco Menin afirmou que fez sua parte ao oferecer uma frente de trabalho para que os bóias-frias pudessem trabalhar enquanto não surge um emprego fixo.
O grupo de bóias-frias, formado por cerca de 30 pessoas, invadiu na noite de segunda-feira uma área de 40 alqueires de propriedade da União. Depois de permanecerem 22 horas no local, eles foram retirados pelo Grupo de Operações Especiais da PM, que atendeu a uma determinação do Secretário de Segurança Pública, José Tavares.

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