Os 1.200 bóias-frias que trabalham no corte de cana-de-açúcar na Usina de Álcool Sabaraálcool, de Engenheiro Beltrão (30 km ao norte de Campo Mourão), têm outra atividade diária antes do serviço: ginástica. Todos os dias, muitas vezes antes do sol nascer, eles participam de pelo menos cinco minutos de exercícios físicos. A prática foi adotada há um ano e meio e a empresa garante que houve diminuição dos acidentes de trabalho.
Ao invés da academia, os bóias-frias participam da ginástica no campo mesmo, seja em estradas vicinais ou sobre uma área de cana já colhida. O instrutor não é nenhum ‘‘personal trainner’’ e sim os próprios apontadores (chefes de cada turma de bóias-frias). Eles foram treinados no ano passado para comandar os exercícios. Cada apontador comanda uma equipe de cerca de 45 pessoas, entre homens e mulheres (cerca de 5% dos cortadores são mulheres).
‘‘No começo foi difícil porque os trabalhadores ficavam com vergonha de ficar pulando’’, conta o apontador Gílson da Silva, 28 anos. ‘‘Mas eles foram acostumando e hoje ninguém reclama.’’ O gerente de produção agrícola da empresa, Ottomar Petsch, disse que a ginástica eliminou, principalmente, os acidentes de trabalho que ocorriam nas primeiras horas da manhã. ‘‘Nessas horas eram mais comuns os cortes nas mãos’’, lembra.
Também caiu o número de funcionários reclamando de torções, como dores nas costas, por exemplo. ‘‘Para mim foi bom. O corpo fica mais leve depois da ginástica e a gente não sente mais tanta dor pelo corpo’’, conta Ana Maria José Alves, 48 anos. Ela nunca havia feito ginástica antes. Sebastião Januário de Almeida, 59 anos, também gostou da idéia, mas lamenta que ela não tenha chegado quando ele era mais novo. ‘‘Agora já estou muito travado’’, explica.
Otacílio Moreira de Souza, 43 anos, afirmou que já tinha feito ginástica no serviço quando trabalhou em São Paulo. Ele aprovou a idéia no corte de cana. ‘‘O corpo fica melhor para trabalhar’’, ressalta. Outro bóia-fria que aprova a iniciativa é José Gino, de 50 anos. Ele trabalha na zona rural desde os sete anos e nem sabia o que era ginástica. ‘‘No começo achei que era frescura, mas agora sei que faz bem’’, conta. ‘‘É bom para esquentar.’’
Além na queda no número de acidentes de trabalho e das faltas por ‘‘torções’’, Petsch afirma que a empresa ganha com o aumento da produtividade e com a diminuição de despesas. ‘‘A ginástica ajuda na hora mais produtiva do trabalhador, que é logo de manhãzinha’’, explica. Segundo ele, acidentes como cortes nas mãos eram mais comuns no inverno, quando os bóias-frias começavam a trabalhar ainda com as mãos geladas, que acabavam ‘‘mal conduzidas’’ . Ontem, a ginástica foi feita ainda com o solo branco devido à geada.

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