Bóia-fria defende legalidade de cooperativa
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 27 de julho de 1998
Paulo Pegoraro 
Trabalhadores volantes (bóias-frias) organizados pela Cooperativa de Trabalho de Prestadores de Serviços Avulsos em Geral de Cascavel e do Paraná (Cootrapi), realizaram protesto, na tarde de ontem contra a ação pedindo que a Cootrapi seja declarada ilegal por não atender exigências da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). O protesto ocorreu na frente da Junta do Trabalho de Cascavel, onde estava sendo realizada audiência preliminar da ação.
Segundo Adão Fagundes dos Santos, presidente da Cootrapi, participaram 300 pessoas, com faixas e cartazes dizendo que elas querem apenas o direito de trabalhar. A cooperativa, fundada em 1995, integra 6,8 mil trabalhadores em todo o Estado. Ela funciona como intermediadora de mão-de-obra, recebendo até 9,5% do que é pago por fazendeiros e outros que recorrem a seus serviços (em média, R$ 10,00 por um dia de trabalho). Os trabalhadores não têm registro em carteira.
Segundo Adão, em compensação eles têm a cooperativa que encontra trabalho, recebem assistência médica, odontológica, seguro contra acidentes e outros benefícios. O presidente observa ainda que é um absurdo em época de tanto desemprego alguém querer acabar com a organização dos trabalhadores. A ação da Procuradoria do Trabalho é extensiva a uma cooperativa de pesquisa e sementes de Cascavel (Coodetec) e uma empresa de sementes de Toledo (Cargill), que contratam serviços eventuais.
Entre as argumentações para que seja declarada a ilegalidade, o procurador José Bilek Iantas afirma que a cooperativa frauda direitos trabalhistas, não formalizando o vínculo empregatício com os bóias-frias. Por isso, eles não recebem férias, 13º salário e outros benefícios, e deixa recolher encargos à Previdência. A ação ainda não tem prazo para julgamento.


