Maigue Gueths
De Curitiba
‘‘A educação é um eixo fundamental da sociedade, porque prepara o cidadão e abre perspectivas sociais para novas conquistas’’, afirmou o teólogo Leonardo Boff, que ontem pela manhã fez uma palestra voltada a professores dos níveis médio e superior sobre ‘‘Novos paradigmas e os seus desafios na educação’’. Apesar do assunto ser voltado aos professores, o auditório da Reitoria ficou lotado por estudantes, membros do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e simpatizantes das idéias do ex-frei, que acabou sendo expulso da Igreja Católica por divulgar seus conceitos da Teologia da Libertação.
Depois de sair da igreja, Boff passou a desenvolver pesquisas na área da educação. Ontem, ele também fez o lançamento de seu livro ‘‘Saber cuidar’’, com informações e pesquisas sobre as metodologias mais modernas de educação e de como deve ser a conduta com o jovem. A vinda do teólogo à UFPR aconteceu numa parceria entre a Secretaria de Estado da Educação e a Editora Vozes.
‘‘Há um paradigma que vem da política, que é a busca da cidadania. Temos que criar a visão no estudante de que ele está ali para aprender, mas também para participar da sociedade. Depois tem o paradigma da ecologia, que é o seu relacionamento com a natureza, e o paradigma do cuidado, que é a preocupação em se criar uma pessoa ética, pois sem ela não poderemos garantir o futuro do planeta’’, disse. Para ele, muitos educadores já se baseiam, hoje, nestes paradigmas. ‘‘Nós teremos, daqui para frente, que nos preocupar em repassar educação e repassar elementos novos que capacitem as pessoas cada vez mais a superar os conflitos.’’
Apoio ao MST – À tarde Boff visitou o acampamento do MST, que ontem completou 100 dias de permanência em frente ao Palácio Iguaçu. ‘‘Essa causa não é passageira. O MST tem o direito de ocupar os espaços públicos e o que vi aqui é um exemplo para o País.’’ Ao conhecer a horta feita no acampamento, Boff disse que aquela era uma forma de demonstrar que os sem-terra ‘‘são produtivos’’.‘‘É importante que a sociedade apóie o MST. Até o Papa quer saber das condições como essa questão é tratada no Brasil, mas o Estado sempre trata a causa com segundas intenções’’, criticou.
O teólogo deu uma dica bem-humorada ao MST: que fossem criadas algumas galinhas no acampamento, para serem colocadas na sede do governo paranaense. ‘‘Uma simbologia com os governantes, que não fazem nada sobre a questão agrária’’, justificou Boff, ao lembrar o livro que lançou em 1997 - ‘‘A Águia e a Galinha - uma metáfora da condição humana.’’ Hoje à noite, Leonardo Boff vai fazer uma palestra no Teatro Bom Jesus.(Colaborou Rubes Burigo Neto)

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