Boêmios usam as ruas como banheiro
Maigue Gueths
De Curitiba
Todas as manhãs de sexta, sábado, domingo e segunda-feira, comerciantes vizinhos de bares no centro de Curitiba são obrigados a realizar uma limpeza especial na porta de seus estabelecimentos. É que muitos frequentadores dos botecos da cidade simplesmente desconhecem a utilidade dos banheiros e preferem usar as calçadas e portas das lojas para fazer xixi. Assim, munidos de escova, vassoura, mangueira e sabão, os comerciantes tentam acabar com o mau cheiro para não perder a clientela.
Não dava para aguentar mais. Toda manhã, antes de abrir eu tinha que lavar a porta, conta o comerciante Mauro Correia, que decidiu combater a situação mantendo a loja aberta até as 2 da madrugada nos finais de semana. Assim resolveu um pouco o problema, diz ele, que há nove anos é proprietário da loja Disparaná Presentes, na rua Trajano Reis, nas proximidades do Largo da Ordem.
No Largo da Ordem, até os feirantes que participam da feirinha de artesanato de domingo se queixam da situação. Os artesãos da rua Mateus Leme são obrigados a lavar a rua antes de montar suas bartracas, pois o cheiro de urina é insuportável. Pelo menos três vezes por semana tem que lavar a calçada, nos outros dias a gente dá pelo menos uma geral, diz o moldureiro Paulo Almeida, da Vidraçaria Santa Helena, vizinho de Mauro. Além do mau cheiro, a vidraçaria enfrenta outro problema: a porta de aço é constantemente enferrujada e corroída pelo xixi. Nós vamos ter que trocar uns 6 gomos da porta porque abriu um buraco.
Mas se para o comércio o mau cheiro incomoda, para os moradores vizinhos de bares, os incômodos são muito maiores. A dona de casa Nice Franco Moura, que mora há dez anos num apartamento na rua Trajano Reis conta que já fez abaixo-assinado com os vizinhos, já reclamou à Delegacia do Meio Ambiente e à Prefeitura, mas nada resolveu o problema. Ela reclama do barulho de noite e das consequências de manhã, quando a rua fica forrada de copos plásticos e com cheiro de urina. É um inferno isto aqui. A rua virou mictório público, mas não adianta reclamar porque ninguém faz nada, desabafa.
Outros locais que sofrem com o barulho, a sujeira e o cheiro causado pelos frequentadores da noite são as imediações da Rua 24 Horas. Ali, os moradores se mobilizaram e conseguiram que um caminhão pipa passe toda manhã, lavando a rua. Mesmo assim, os problemas continuam. Segundo Maria de Fátima Correa Balles, porteira do edifício Luiz Felippe Lopes, é comum as pessoas fazerem xixi na entrada da garagenm do prédio, até mesmo de dia. O porteiro José Hirt, do edifício Dona Dinorah, concorda e diz que muitos moradores se queixam. A gente já reclamou do barulho e da sujeira, mas não adianta, diz Rose Fernandes da Silva, que mora com outras 25 garotas em um pensionato bem ao lado da Rua 24 Horas.
O setor de limpeza da Prefeitura tem um roteiro específico no centro da cidade por onde passa um caminhão pipa todas as madrugadas ou de manhã cedo. Segundo o setor, para incluir mais ruas neste itinerário, as pessoas devem solicitar o serviço à Prefeitura.





