Boca condecora seu milésimo cavaleiro
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domingo, 14 de dezembro de 1997
Guilherme Vieira 
Curitiba
Marcelo AlmeidaTradiçãoBoca Maldita funciona há 41 anos na Rua XV de NovembroA Confraria da Boca Maldita condecorou ontem seu milésimo cavaleiro, durante jantar no Clube Thalia, em Curitiba. A reunião é uma das mais tradicionais da cidade e homenageou, na sua 41ª edição, mais 35 pessoas com a honraria. Desde o primeiro jantar, realizado em 13 de dezembro de 1956 e do qual participaram 20 pessoas, passaram-se 41 anos e o evento não parou de crescer - em algumas ocasiões chegou a reunir mais de mil pessoas.
Entre os Cavaleiros da Boca Maldita estão representantes de todas as correntes de pensamento. Alguns dos nomes de peso vêm do jornalismo, como o colunista social Ibrahim Sued e os cronistas João Saldanha e Villas-Boas Corrêa; outros têm face empresarial, como Antônio Ermírio de Moraes. O contraste também é visível quando a unanimidade dos cavaleiros a favor do poeta Vinícius de Moraes é colocada lado a lado com a polêmica que cerca o ex-presidente Fernando Collor de Mello, ambos condecorados.
Este ano, entre os novos membros da ordem predominam juristas e políticos, com destaque para o ministro do Supremo Tribunal Federal Nelson Jobim; os ministros do Supremo Tribunal de Justiça Cid Flaquer Scartezzini e Milton Luis Pereira; o juiz federal do Trabalho Pedro Máximo Paim Falcão; o presidente do Tribunal de Justiça do Paraná, Henrique Lenz César; o presidente da Câmara de Vereadores de Curitiba, João Claudio Derosso; o médico cardiologista Randas Batista e o vice-presidente do HSBC Bamerindus, John Ranaldi.
A primeira reunião da confraria foi no Grande Hotel Moderno e surgiu por força do clima de fim de ano, quando as empresas promovem a confraternização de seus funcionários geralmente em torno de um jantar. Na ocasião, foi realizada a eleição para escolher o presidente da confraria, que desde então é comandada por Anfrísio Siqueira.
Naquele jantar histórico, o nome Boca Maldita foi sugerido pelo jornalista Adherbal Fortes de Sá. A explicação para o nome é que os cafés da Rua XV de Novembro, onde é hoje funciona a Boca, eram frequentados por rapazes malditos e que as moças que passavam por lá acabavam desviando seu caminho para evitar a exposição prolongada aos olhares gulosos.
A Boca Maldita está hoje espalhada por todo o Brasil. Há filiais do Acre ao Rio Grande do Sul, passando por Minas Gerais, São Paulo e Santa Catarina, todas alinhadas à principal característica da confraria: a liberdade de expressão e o estímulo ao debate.


