Curitiba

Marcelo AlmeidaTradiçãoBoca Maldita ‘funciona’ há 41 anos na Rua XV de NovembroA Confraria da Boca Maldita condecorou ontem seu milésimo cavaleiro, durante jantar no Clube Thalia, em Curitiba. A reunião é uma das mais tradicionais da cidade e homenageou, na sua 41ª edição, mais 35 pessoas com a honraria. Desde o primeiro jantar, realizado em 13 de dezembro de 1956 e do qual participaram 20 pessoas, passaram-se 41 anos e o evento não parou de crescer - em algumas ocasiões chegou a reunir mais de mil pessoas.
Entre os Cavaleiros da Boca Maldita estão representantes de todas as correntes de pensamento. Alguns dos nomes de peso vêm do jornalismo, como o colunista social Ibrahim Sued e os cronistas João Saldanha e Villas-Boas Corrêa; outros têm face empresarial, como Antônio Ermírio de Moraes. O contraste também é visível quando a unanimidade dos cavaleiros a favor do poeta Vinícius de Moraes é colocada lado a lado com a polêmica que cerca o ex-presidente Fernando Collor de Mello, ambos condecorados.
Este ano, entre os novos membros da ordem predominam juristas e políticos, com destaque para o ministro do Supremo Tribunal Federal Nelson Jobim; os ministros do Supremo Tribunal de Justiça Cid Flaquer Scartezzini e Milton Luis Pereira; o juiz federal do Trabalho Pedro Máximo Paim Falcão; o presidente do Tribunal de Justiça do Paraná, Henrique Lenz César; o presidente da Câmara de Vereadores de Curitiba, João Claudio Derosso; o médico cardiologista Randas Batista e o vice-presidente do HSBC Bamerindus, John Ranaldi.
A primeira reunião da confraria foi no Grande Hotel Moderno e surgiu por força do clima de fim de ano, quando as empresas promovem a confraternização de seus funcionários geralmente em torno de um jantar. Na ocasião, foi realizada a eleição para escolher o presidente da confraria, que desde então é comandada por Anfrísio Siqueira.
Naquele jantar histórico, o nome ‘‘Boca Maldita’’ foi sugerido pelo jornalista Adherbal Fortes de Sá. A explicação para o nome é que os cafés da Rua XV de Novembro, onde é hoje ‘funciona’ a Boca, eram frequentados por rapazes ‘malditos’ e que as moças que passavam por lá acabavam desviando seu caminho para evitar a exposição prolongada aos olhares gulosos.
A Boca Maldita está hoje espalhada por todo o Brasil. Há ‘filiais’ do Acre ao Rio Grande do Sul, passando por Minas Gerais, São Paulo e Santa Catarina, todas alinhadas à principal característica da confraria: a liberdade de expressão e o estímulo ao debate.

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