Boato sobre temporal deixa cidade em pânico
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 15 de outubro de 1997
Lucinéia Parra Maringá 
Dezenas de pessoas ligaram ontem para o Corpo de Bombeiros de Maringá, preocupadas com o fenômeno El Ni¤o (aquecimento das águas do Pacífico, que provoca alterações climáticas no mundo inteiro). A maioria tinha recebido informação de que forte temporal iria atingir a cidade causando danos e destruição.
O boato foi tão intenso que só na parte da manhã o CB tinha atendido 30 telefonemas de pessoas preocupadas com a situação. Em muitos casos, as pessoas queriam informações sobre a esperada catástrofe na cidade e quais as regiões de maior risco.
A preocupação com o fenômeno aumentou a partir de segunda-feira, quando o CB passou a registrar cerca de 10 telefonemas por dia de pessoas perguntando sobre previsões para Maringá e como proceder em caso de uma catástrofe. Anteontem, o CB recebeu cerca de 15 telefonemas, a maioria de pessoas que afirmavam ter conhecimento de que Maringá seria atingida por um forte temporal.
Por causa do medo que se instalou na cidade, o CB distribuiu nota à imprensa tranquilizando a população. De acordo com o tenente Gilberto Gavlovski, o El Ni¤o não oferece grande risco à região Noroeste do Estado. Ele se baseia nas informações repassadas pelo Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar), que descreve o fenômeno como uma variação climática de forma a alterar as estações do ano, não se tratando porém, de um furacão, tufão ou algo do gênero.
Ainda conforme o Simepar, em Maringá o impacto médio do fenômeno registrado em anos anteriores é de um acréscimo de 20% no volume de chuvas para o período de outubro, novembro e dezembro. Normalmente chove 500 milímetros e espera-se que chova 600 milímetros.
Apesar de todos os cuidados que o Paraná está tomando para evitar maiores danos com o El Ni¤o, o Simepar informa que até o momento nenhuma das previsões a respeito do fenômeno geraram motivos para insegurança. A previsão para o Estado é de chuva e ventos fortes, porém, dentro da normalidade.
No município de Nova Laranjeiras (130 km a oeste de Guarapuava), que atingido por um furacão em junho, a população está apreensiva com boatos relacionados ao El Ni¤o, principalmente com notícias de que vai haver tempestades na região.
A professora Rosa Provin, 42 anos, disse que muitas pessoas estão fazendo seguro das casas para se prevenir. Nós estamos achando os ventos que sopram por aqui mais intensos. Diferente de vento normal. À noite, muita gente passa acordada por causa do barulho dos ventos. (Colaborou Edna Mendes)


