Já faz algum tempo que corria, à boca pequena, entre alguns vereadores da oposição, o boato de que os membros do bloco de apoio ao prefeito na Câmara estavam recebendo tratamento privilegiado da administração municipal. Os sussurros diziam que a esses vereadores foi permitida a contratação de quantos assessores quisessem, além dos dois que já trabalham no gabinete, até um teto de R$ 2.500,00. Por exemplo: tanto o vereador poderia contratar 5 assessores por R$ 500,00 cada, ou 2 de R$ 1.000,00 e 1 de R$ 500,00.
Até agora, era apenas boato entre vereadores - não valia a pena sequer publicá-lo. Mas um fato novo ocorreu. Quando iam para o trabalho, duas assessoras de vereadores conversavam animadamente. Uma delas reclamava do excesso de trabalho, dizendo que é muita coisa para ser tocada por apenas dois assessores. Aí outra assessora dissse ingenuamente:
- Uai, porque o seu vereador não tem mais assessores? O meu, fora os 2 que trabalham no gabinete, tem mais 5. Só que eles trabalham fora, na comunidade. Estão ganhando R$ 500,00 e quem paga é a Prefeitura.
Segundo um vereador da oposição, que não quis se identificar, quem aderir ao grupo do prefeito, que hoje conta com 10 vereadores, também poderá fazer parte do esquema. Já o vereador Renato Araújo (PPB), líder do prefeito na Câmara, após se inteirar da situação, esbravejou contra tais boateiros: ‘‘É gente que está querendo desestabilizar o prefeito e a bancada de apoio com interesses escusos’’.
‘‘Não é verdade, isso não tem procedimento, é uma baita fofoca que agride a todos nós. Um boato desse é criminoso, mas eu vou descobrir de onde partiu. E quem é essa assessora, com que interesse ela está espalhando esses boatos?’’, exaspera-se Renato.
Ele diz que vai investigar, não deu nomes, mas garante estar de olho em dois vereadores de oposição: um, estaria inventando tal boato, ‘‘para conseguir um acerto com o prefeito’’; o outro, suspeita Renato, ‘‘cabresteado’’ por um jornalista, também poderia estar por trás da fofoca.
Dizendo que se houvesse alguma coisa seria o primeiro a saber; lembrando que trabalhou ‘‘de graça’’ para Belinati na eleição do ano passado; destacando que está até hoje pagando com o próprio dinheiro compromissos assumidos por ele em nome do prefeito eleito e que ainda não puderam ser honrados, Renato garante que ‘‘não existe nada disso e se tiver renuncio ao meu cargo de líder do prefeito’’.
Como, segundo Renato, ‘‘tudo não passa de mentira’’, ele vai continuar firme no cargo e, pelas suas palavras, os mentirosos que que cuidem: ‘‘Se eu souber quem foi, vou jogar pesado, se vou. E se foi um dos que estou pensando que é, vou soltar uns negócios que sei dele que estou segurando faz tempo, espera pra ver.’’

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