Vinícius Henrique com a mãe Dayane Fernandes: menino faz tratamento contra câncer e usa a máscara durante as sessões de radioterapia
Vinícius Henrique com a mãe Dayane Fernandes: menino faz tratamento contra câncer e usa a máscara durante as sessões de radioterapia | Foto: Gustavo Carneiro



Colocar a criatividade e a tecnologia a serviço da saúde de crianças pode ser fator de grandes conquistas durante a recuperação de uma doença. Em Londrina, algumas iniciativas que nasceram no ambiente hospitalar e educacional têm buscado isso e com resultados positivos. No Hospital do Câncer, o projeto Pequenos Corajosos vem incentivando meninos e meninas que precisam fazer sessões de radioterapia.

Eles não usam capas e também não possuem superpoderes, porém têm máscaras e enfrentam batalhas difíceis, que fazem deles verdadeiros super-heróis. Desde 2015, a instituição entrega medalhas e certificados para as crianças que terminam o processo de radioterapia e em 2016 um novo aliado se juntou a esta ação: máscaras que trazem o rosto de heróis dos quadrinhos e cinema são utilizadas nas sessões.

"Esse projeto surgiu da necessidade de fazer um ambiente mais acolhedor para as crianças do serviço de radioterapia. A intenção era humanizar o atendimento. No começo veio a ideia das medalhas e do certificado de coragem que, junto com a equipe de palhaços, fazíamos a entrega de uma forma lúdica. No meio deste processo conseguimos as máscaras, que estão ajudando muito", explicou Andrea Luiza Leite Carrara, enfermeira e coordenadora do serviço de radioterapia do Hospital do Câncer.

As máscaras termoplásticas, que recebem pigmentação a base de água, são produzidas de forma voluntária por artistas plásticos do Instituto Caran d’Ache. O herói que estampa o material é escolhido pela criança e ele leva a forma de seu rosto. Durante a radioterapia, elas são utilizadas para minimizar o sofrimento dos pequenos pacientes e acalmá-los. No final do tratamento, uma cerimônia é realizada para marcar o caminho vencido e ele podem levar para a casa o "escudo" que usaram.

Segundo Carrarra, até o momento foram três crianças atendidas pelo projeto com máscaras e os resultados foram acima do esperado. "Depois das máscaras, as crianças sentiram-se tão confiantes que fazem a radioterapia sem tomar anestesia e isso melhorou o nosso trabalho. Antes precisávamos mobilizar anestesista, o remédio que tomavam dava sensação de náusea e tinham que vir em jejum", pontuou a enfermeira. "O procedimento de radioterapia com anestesia durava em torno 40 minutos. Hoje demora oito ao todo", completou Eduardo Ferraz, físico médico que ajudou a implementar o projeto.

A proteção com máscaras já era utilizada antes no hospital, pois servem pra evitar a radiação na região do crânio e pescoço. "O que fizemos foi usar as mesmas máscaras que utilizávamos antes para proteger e mobilizar o paciente, só que de uma maneira estilizada, para incentivar as crianças a ficarem quietinhas enquanto estão na máquina de radioterapia", afirmou Ferraz.

Confira as imagens do projeto Pequenos Corajosos:

BOAS INICIATIVAS - Pequenos heróis
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ALÍVIO
Vinícius Henrique Sanches Fernandes, 5, foi um dos três pacientes a usar a máscara. O personagem escolhido foi o homem-aranha, um dos preferidos do garoto, que esbanja sorrisos e carisma. "Consegui ficar mais forte com a máscara", contou ele, que vestia uma camisa estampada com a palavra força, resumindo bem seu sentimento.

Quando tinha três anos, a família descobriu que ele possuía Leucemia Linfoide Aguda (LLA), tipo de câncer do sangue e da medula óssea que afeta os glóbulos brancos. Um dos tratamentos foi a radioterapia e a máscara estilizada foi um alívio para a mãe. "Eu não imaginava que seria como foi, pois quando ouvia falar da radioterapia via as pessoas dizerem que teria que sedar e passaria mal. Mas, no dia que vim para a sessão, a enfermeira conversou com ele, falou da máscara e ele ficou muito animado. Virou um herói mesmo" , relembrou Dayane Sanches Fernandes.

Desencadeando efeitos imediatos, a médio e longo prazos a radioterapia faz parte do tratamento de somente algumas crianças com câncer por conta de sua agressividade. Com a doença controlada e em fase de manutenção, Vinícius agora incentiva outras crianças a enfrentar o tratamento e vencer a doença. "A máscara é muito bonita e deixa mais tranquilo. Então, as crianças podem usar que vão gostar", recomenda o garoto.

Para a enfermeira do hospital, o projeto também é uma forma desmistificar o tratamento e oferecer alegria. "Se ficarmos muito concentrados somente no tratamento em si ficamos tristes. Não queremos que o hospital seja um lugar de tristeza, mas sim que seja um local onde as pessoas venham buscar vida, saindo recuperadas e melhores. O tratamento é importante, mas é um caminho. Por isso, precisamos oferecer esses projetos", destacou.

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