Casas reformadas e vendidas, infiltrações, tijolos quebrados, casas frias demais para o clima de Curitiba. A Vila Tecnológica completa quatro anos apresentando uma série de problemas nos sistemas construtivos em teste. Daqui a um ano os moradores que quiserem poderão formalizar a compra dos imóveis da Cohab, mas para alguns pode ser um mau negócio.
A Vila Tecnológica tem 120 casas e fica no Bairro Novo. São 20 tecnologias de construção diferentes que vão desde a utilização de placas de isopor e madeira revestida com argamassa, até painéis de concreto. O programa, lançado pioneiramente em Curitiba, tem a proposta de utilizar e avaliar simultaneamente sistemas alternativos de construção.
Desde maio de 1994, as casas estão sendo habitadas e as famílias vão participar da avaliação das tecnologias dizendo se ficaram satisfeitas ou não. Durante um período experimental de cinco anos elas pagam uma mensalidade média de R$ 111,45 para utilizar o imóvel em regime de comodato, podendo optar pela compra no final do período. Caso contrário, o dinheiro pago equivale a um aluguel.
Kraw PenasSatisfaçãoAna Maria de Lima está satisfeita com a casa de painéis de madeira impermeabilizados com epoxi
Para a dona-de-casa Marta Gomes de Oliveira, a experiência foi um desastre. A casa feita em placas de concreto está totalmente embolorada e úmida. As crianças sofrem de rinite alérgica e as roupas têm que ser mantidas fora do armário. ‘‘No inverno a casa é gelada e no verão é um forno’’, reclama. A moradora mostra que a umidade entra no meio das placas e por isso mofa tudo.
‘‘O diretor da Cohab já disse que o material não foi aprovado, mas a gente paga R$ 130,00 por mês e queria continuar morando neste bairro’’, lamenta. Ela diz que a família quer derrubar a casa e construir outra no lugar, com financiamento da Cohab. A casa de Marta Oliveira foi construída pela empresa Paineira, de Taguatinga (Distrito Federal). Segundo ela, as casas vizinhas, construídas com outras tecnologias, também têm infiltrações.
A casa de isopor também não deu certo. Fátima Aparecida Lemos, de 26 anos, conta que estava feliz até dois meses atrás, quando começaram as infiltrações. Ela já estava há quatro anos na fila da Cohab quando se mudou e paga mensalidade de R$ 116,00. Fátima sonha em consertar o vazamento, que embolorou as paredes e o teto da casa, e construir uma cozinha maior nos fundos. A casa de isopor foi construída pela Constroyer, de Curitiba.
Outra casa que não deu certo foi a de tijolos cerâmicos intertravados, trazida pela Cohab do Pará. O sistema não foi aprovado nem na Rua da Tecnologia, onde as casas são utilizadas pelas secretarias municipais e por isso têm manutenção constante. A família de Marlete Vieira Rodrigues veio de Rondônia e comprou a casa feita com tecnologia nortista. O resultado é que a família, desacostumada ao frio,
sofre no inverno.
A casa tem tijolos vazados no lugar de janelas e por isso deixa entrar muito vento. Os primeiros moradores fizeram algumas reformas, como rebocar as paredes - que eram de tijolo aparente -, substituir os tijolos vazados por janelas comuns e tapar uma parte dos furos em um dos cômodos. O inverno ainda não chegou e, mesmo com os problemas, Marlete diz que a família está satisfeita com a compra, que, segundo a Cohab, é irregular.
Depois de 23 anos pagando aluguel, Ana Maria de Lima, de 46 anos, está satisfeita com a casa construída com painéis de madeira revestidas com chapas ‘Harbloc’ e impermeabilizadas com epoxi pela empresa Epotec, de Piraquara. Segundo ela, não há infiltrações e a casa mantém temperatura agradável no frio e no calor. Ela já planeja construir mais dois quartos, uma cozinha e uma lavanderia. Ana Maria conta que os vizinhos não tiveram a mesma sorte. Um deles não conseguia, por exemplo, prender uma prateleira na parede e depois de alguns problemas com a casa desistiu e resolveu vendê-la.Casas construídas para testar novas tecnologias que
seriam utilizadas em habitações populares decepcionam

Kraw PenasBolorPara Marta de Oliveira, a experiência foi um desastre. Casa de placas de concreto embolora roupas‘‘No inverno é gelado
e no verão é um
forno’’, diz moradora
de uma das casas

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