O perfil traçado por especialistas sobre os universitários envolvidos com o narcotráfico inclui problemas de auto-estima, excesso de ''recompensas'' obtidas da família e falta de assimilação sobre moral e cidadania. Para a psicóloga Maria Zilah Silva Brandão, o ambiente universitário precisa ser melhor explorado por esses jovens, juntamente com a ajuda dos professores.
As afirmações dos jovens presos que mais preocuparam a psicóloga são as que excluem o uso e o tráfico de drogas dos chamados ''crimes sérios'' (como matar e roubar). ''Percebemos um déficit na formação dos conceitos morais e de cidadania quando ouvimos isso. Esse padrão de comportamento anti-social pode ser um reflexo da formação na adolescência'', analisou Maria Zilah, sugerindo o resgate das ''responsabilidades domésticas'' (fazer o dever de casa, acordar no horário, auxiliar os pais em casa, entre outros).
Ela citou ainda a ''busca fácil e rápida'' destes adolescentes como herança da ''recompensa imediata e sem esforço'' oferecida pelos pais. ''Boa condição financeira não é tudo. Quando uma criança ganha algo fácil hoje, ela tende a buscar condições que proporcionem iguais facilidades no futuro. O envolvimento com as drogas é um exemplo'', avaliou.
A ausência dos pais na vida dos universitários (muitos estudam fora da cidade onde passaram a infância), também pode ser outro fator negativo. ''A falta do olhar vigilante pode dar espaço ao traficante. Antes mesmo de encaminhá-lo para estudar fora, os pais devem ter em mente o perfil do filho e encontrar a melhor maneira de acompanhá-lo à distância'', disse a psicóloga.
A sugestão final da psicóloga envolve a própria universidade: integração maior por meio de projetos de pesquisa e extensão. ''Quanto mais o estudante se ocupar em grupos de pesquisa e projetos desenvolvidos com professores, menor as chances dele se envolver com as drogas. Medidas punitivas, como a prisão, devem ser o último recurso em casos como este'', finalizou.

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