Bloqueios dificultam preservação da memória ferroviária no Norte Pioneiro
Brigada de voluntários que faz reparos em trecho desativado do Ramal do Paranapanema enfrenta porteiras fechadas sobre a linha férrea
PUBLICAÇÃO
domingo, 20 de julho de 2025
Brigada de voluntários que faz reparos em trecho desativado do Ramal do Paranapanema enfrenta porteiras fechadas sobre a linha férrea
Da Redação 

Um grupo de voluntários que se dedica à conservação da antiga malha ferroviária do Norte Pioneiro tem enfrentado dificuldades para manter seu trabalho em trechos do extinto Ramal do Paranapanema. Recentemente, algumas porteiras trancadas com cadeado, instaladas por fazendeiros ao longo da linha férrea, têm impedido o livre acesso da Brigada de Preservação de Linha Férrea do Paraná (BPLF-PR). Um dos casos ocorre no município de Quatiguá, onde o bloqueio impossibilita a passagem da brigada para vistorias e manutenção básica da linha.
A linha férrea em questão foi desativada oficialmente em 2001, mas ainda conserva vestígios importantes da antiga infraestrutura, como trilhos, dormentes e pontilhões. Mesmo sem circulação de trens há mais de duas décadas, os voluntários da BPLF-PR mantêm, há sete anos, uma rotina de visitas, limpeza e inspeções, com o objetivo de preservar a memória da ferrovia e seu valor histórico para a região.
Chico Castilho, presidente da Brigada, informou que está em negociação com os proprietários rurais para garantir a abertura das porteiras. “Hoje eles estão deixando o acesso livre durante os fins de semana. Mas o ideal seria se tirasse as porteiras. Nosso trabalho é pacífico, técnico e cultural. Buscamos apenas manter o que sobrou da ferrovia viva, documentando e conservando trechos que fazem parte da história do Norte Pioneiro do Paraná”.

Escoamento da produção agrícola e batalhas
O Ramal do Paranapanema foi responsável, durante décadas, por escoar a produção agrícola da região, especialmente madeira, suínos e café, além de conectar municípios como Wenceslau Braz, Quatiguá, Joaquim Távora, Siqueira Campos e Jacarezinho. Muitos dos trilhos e estruturas existentes hoje, ainda que sem uso operacional, são considerados patrimônio de memória coletiva das comunidades locais.
Juliano Camacho, vice-presidente da BPLF-PR, conta que a entidade filantrópica criada em 2018, conta com voluntários responsáveis pela limpeza, manutenção e preservação de um trecho de 60 quilômetros entre Siqueira Campos e o distrito da Platina, em Santo Antônio da Platina. As equipes se deslocam em trolleys para fazer os reparos necessários. “Apesar de o trecho estar desativado e não haver interesse na reativação, nós fazemos nossa parte na preservação da histórias desses municípios”, conta, lembrando que a linha férrea foi palco de ações militares e batalhas nas revoluções de 1930 e 1932.
A BPLF-PR realiza registros em vídeo, publica relatórios em suas redes sociais e promove ações educativas. Camacho faz questão de frisar que todo o trabalho tem a anuência da Rumo S.A.

'Trabalho árduo'
Apesar das barreiras, os voluntários seguem na missão de valorizar o passado ferroviário da região. “Nosso objetivo é manter a história visível, acessível e respeitada. E isso dá muito trabalho. Muita gente acha que é só hobby andar pela linha férrea, mas é um trabalho árduo ”, afirma Camacho.
As tratativas com os proprietários continuam, com expectativa de que um acordo seja firmado em breve para garantir a continuidade das ações da brigada de forma ininterrupta nos trechos bloqueados.


