O bloqueio da BR-116 surpreendeu e revoltou os motoristas que passavam ontem pela BR-116.‘‘Isso é uma palhaçada de gente que não tem o que fazer’’, reclamou o caminhoneiro Valdemir Clauber, 40 anos. Ele saiu de São Paulo e deveria entregar um equipamento rodoviário em Florianópolis (SC) até as 16h. ‘‘Agora vou ter de arriscar minha vida para chegar em tempo’’, disse. Se chegar atrasado, terá de pagar uma multa de R$ 80,00. Ele acredita que o efeito do protesto é quase nulo. ‘‘Só meia dúzia de caminhoneiros por aqui estão escutando a queixa deles’’.
‘‘Isso é um absurdo. Por quê eles não vão protetar no Palácio do governo?’’, perguntou o geólogo José Ferraz, que saiu da Cidade Industrial e tinha uma reunião com os funcionários em sua empresa, no bairro Cajuru. ‘‘Agora não só eles estão com problemas, mas todos nós’’, disse. O geólogo afirmou que concorda com as manifestações, mas desde que não atrapalhem os outros. O caminhoneiro Wilson Almeida, 27 anos, também ficou irritado com o bloqueio. Ele tentou, mas não conseguiu manobrar o caminhão para sair do congestionamento. ‘‘Tenho compromisso de pegar um carregamento em Osasco e não posso atrasar’’, disse.
O caminhoneiro Geovane Narlock, 28 anos, disse que o bloqueio de uma rodovia não deveria ser usado para protesto contra problemas de educação. ‘‘Se estivessem protestando contra o pedágio seria válido, mas sobre a educação deve ser no Palácio do governo’’, sugeriu. Ele conta que vem do Rio de Janeiro e pretendia almoçar em Joinville (SC), com a família. ‘‘Agora vou ter de ficar aqui parado’’, disse. O corretor de seguros, Nivaldo de Almeida, 28 anos, disse que os manifestantes foram ‘‘muito radicais’’. (E.E.S.)

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