O ‘‘bloqueio’’ dos recursos arrecadados pela própria Faculdade Estadual de Ciências e Letras de Campo Mourão (Fecilcam), determinado em decreto assinado há poucos dias pelo governador Jaime Lerner (PFL), está dificultando a situação da instituição. Com a medida, a faculdade passa a ter que pedir autorização até mesmo para pagar aos professores contratados, apesar do dinheiro ser arrecadado pela instituição e não enviado pelo Estado.
‘‘Ficou mais burocrático’’, diz o diretor em exercício da Fecilcam, Rubens Sartori. O pedido de autorização, que tem que ser dado pelo recém-criado Conselho de Reestruturação e Ajuste Fiscal do Estado (Crafe), já fez, por exemplo, com que fossem paralisadas as obras de reforma dos banheiros do bloco A, que estão interditados desde o ano passado por falta de condições de uso. ‘‘Estamos esperando autorização’’, explica Sartori.
A preocupação maior, no entanto, está nos professores e funcionários contratados. Eles são pagos com os cerca de R$ 10,5 mil mensais que a Fecilcam lucra com 14 cursos de pós-graduação que atualmente são ministrados na instituição. ‘‘Sem esse dinheiro, não teríamos como sobreviver’’, diz o diretor em exercício. Os repasses do Estado para a manutenção da faculdade, que foram de R$ 10,2 mil em 1997, caíram para R$ 5,9 mil este ano.
‘‘Esse dinheiro teria que dar para a manutenção da Fecilcam e do Colégio Agrícola, mas isso é impossível’’, conta Sartori. Segundo ele, os cursos de pós-graduação acabaram se tornando o ‘‘pulmão da instituição’’. ‘‘Não estamos em desespero, mas a situação já é preocupante’’, explica o diretor. A preocupação maior é para o ano que vem, quando a Fecilcam poderá ficar impedida de voltar a contratar professores.
De acordo com Sartori, já foi definido que em 1999 nenhum professor poderá ser liberado para a realização de cursos de aperfeiçoamentos. ‘‘Todos terão que ficar em sala de aula’’. Ele também adianta que estagiários deverão ser demitidos, apesar do quadro de funcionários ser considerado enxuto. ‘‘Temos 2,8 mil alunos e somente 42 funcionários entre Fecilcam e Colégio Agrícola. Deve ser a estrutura mais enxuta do Estado’’.
Além de ter que pedir autorização do Crafe para gastar o dinheiro da instituição, Sartori prevê dificuldades com a queda da arrecadação proveniente dos cursos de pós-graduação. ‘‘A crise está fazendo com que muitos alunos desistem dos cursos no meio do caminho’’, ressalta. O diretor diz que a instituição está tentando uma renegociação das dívidas com eles.

mockup