Bloqueio de estrada rural causa revolta
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quinta-feira, 20 de agosto de 1998
Alexandre Sanches 
Os moradores da comunidade do Ceboleiro, em Rolândia (25 km a oeste de Londrina), foram pegos de surpresa ontem à tarde, quando tratores da Viapar - concessionária responsável pelo Lote 2 do Anel de Integração - abriram buracos na estrada rural que liga a comunidade à cidade de Arapongas. Dois dias antes, uma assembléia dos moradores havia decidido impedir o fechamento da estrada, que pode ser usada para desviar da praça de pedágio em construção na BR-369. Os moradores não querem pagar o pedágio.
A gleba do Ceboleiro possui cerca de 100 pequenas propriedades rurais e é atendida por uma estrada vicinal aberta na década de 30, pela Companhia de Terras Norte do Paraná. A estrada inicia em Rolândia e termina ao lado do parque de exposições Expoara, em Arapongas.
O agricultor João Horwatich Filho disse ontem que cerca de 40 agricultores tentaram negociar com a Viapar, sem êxito. Vamos reabrir a estrada. A Viapar quer impedir a passagem dos carros e estava erguendo uma cerca no local. Mas vamos resistir, afirmou. No local estão sendo feitas obras de revitalização das marginais da BR-369, em parceria entre a Viapar e a Expoara.
Fecharam o nosso acesso a Arapongas. O pessoal da Expoara mentiu, afirmando que não mexeriam na estrada e não nos prejudicariam. Vamos entrar na Justiça para garantir o nosso direito, afirmou Horwatich. No final da tarde, funcionários da prefeitura estiveram no local para tentar convencer os moradores a conversar com o prefeito José Aparecido Bisca (PFL). Os moradores, em rápida assembléia, decidiram ignorar o pedido, uma vez que na assembléia de terça-feira o prefeito não compareceu e nem enviou representante.
A comunidade do Ceboleiro também está revoltada com o cadastro da Viapar que vai permitir aos moradores pagar tarifa diferenciada de pedágio. Eles consideraram um insulto apresentar, além dos dados pessoais, referências bancárias.
O administrador do pavilhão da Expoara, José Roberto Pontalti, negou que a entidade tenha fechado a estrada. Não fomos nós que abrimos os buracos. A nossa intenção é construir o estacionamento no terreno ao lado da estrada daqui um ano. Por nós, a estrada ficará aberta.
Na Viapar, em Maringá, a assessoria de imprensa não assumiu a responsabilidade pelo bloqueio da estrada do Ceboleiro. No entanto, disse que a empresa está cadastrando os moradores para que eles paguem uma tarifa diferenciada (menor) de pedágio. No início da noite, cerca de 40 moradores ainda permaneciam no local esperando um trator para fechar os buracos. Um ônibus de transporte escolar, que ía para Arapongas, também esperava a desobstrução da passagem. A polícia acompanhou a concentração dos moradores.


