Bloqueio de desvio revolta agricultores
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quarta-feira, 22 de julho de 1998
Alexandre Sanches 
Os pequenos agricultores que residem ou possuem propriedade às margens da estrada rural da Água das Flores/Couro do Boi, em Jataizinho (25 km a leste de Londrina), amanheceram ontem impedidos de entrar na BR-369 de carro. A Econorte, concessionária responsável pelo Lote 1 do Anel de Integração, fechou durante a madrugada o acesso à rodovia. A estrada é usada pelos motoristas como desvio da praça de pedágio.
Com um trator, funcionários da empresa abriram a valeta de água pluvial e retiraram a tubulação que permitia a passagem dos veículos. Uma cerca de arame também foi colocada no local. Ontem à tarde, moradores e vereadores retiraram a cerca e jogaram terra sobre a valeta. A estrada existe há 50 anos. Eu tenho propriedade aqui há 40 anos. Quem é a Econorte para impedir o meu acesso à minha propriedade?, questionou o agricultor Gesael Pereira Meier, 60 anos.
A revolta entre os agricultores era geral. Meier disse que paga pedágio quando utiliza a BR-369. Estou sendo lesado duas vezes. E o pior é que a ponte da estrada municipal continua quebrada, ressaltou. Há duas semanas um caminhão que desviava do pedágio caiu da ponte e danificou a estrutura.
Ontem de manhã, ao ir para a granja avícola que tem a 800 metros da rodovia, Gesael Meier disse que foi pego de surpresa pelo obstáculo. Com a mãe doente no carro, disse que discutiu com os engenheiros da Econorte e rodou mais de 10 quilômetros para chegar à propriedade. Se a Econorte voltar a abrir a valeta, iremos fechar. Se as pessoas usam a estrada como desvio, não é minha culpa, desabafou.
Para a agricultora Maria Madalena Abe, 40 anos, e há mais de 20 com propriedades na região, a atitude da Econorte foi injustificada. Não podemos ficar andando mais de 10 quilômetros com trator para chegar num sítio que fica a menos de um quilômetro da BR, argumentou.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Jataizinho, Luiz Carlos Pinto Brandão, afirmou que a estrada municipal atende mais de 20 pequenas propriedades com criação de frango e gado, além de servir de escoamento de grãos. Ele reclamou que a Econorte, quando fez acordo com a prefeitura permitindo que os moradores do município pagassem R$ 0,50 de pedágio, acabou com a isenção dos agricultores que vivem naquela região. Com a redução da tarifa, a Econorte acabou com este desconto. Agora fazem isso com os produtores.


