Bloqueio de balsa faz uma semana
Maria Tereza Boccardi
Especial para a Folha
A paralisação das operações da balsa que liga o porto de Santa Helena (110 quilômetros ao norte de Foz do Iguaçu) a Puerto Índio - município paraguaio à margem do Lago de Itaipu - completa hoje uma semana. Desde a manhã da última quinta-feira, um grupo de aproximadamente 250 brasiguaios acampa no local e impede o funcionamento da embarcação.
O protesto busca uma solução para o problema dos brasiguaios, que tiveram suas propriedades invadidas por sem-terra paraguaios no departamento (equivalente a Estado) de Alto Paraná, no leste do Paraguai. Os manifestantes afirmam que a balsa só será liberada depois que obtiverem um documento do governo paraguaio garantindo a segurança deles e a reintegração de posse das terras invadidas.
Funcionários da Mineração Floresta de Guaíra, que opera a balsa, estiverem ontem no local para avaliar a situação. O diretor de Navegação e Travessias da empresa, Adélio Detoni, afirmou que, por enquanto, não será tomada nenhuma medida contra os manifestantes.
Não houve sequestro da balsa. Não sei se os brasiguaios têm ou não razão. É uma situação delicada e vamos aguardar, declarou Detoni. Ele não quis revelar o prejuízo acumulado até hoje, mas a Folha apurou que o valor já chega a aproximadamente R$ 10,5 mil. A balsa, com capacidade para 500 toneladas, opera no lago há quatro anos. Ela transporta passageiros e cargas.
Os brasiguaios esperam que seja formada uma comissão de deputados e senadores brasileiros para negociar com autoridades paraguaias, em Assunção. Eles ameaçaram bloquear a Ponte da Amizade (que liga Foz do Iguaçu a Ciudad del Este) para chamar a atenção das autoridades. Por enquanto, não há a decisão de se levar o protesto para a ponte, garante Lindomir Bernardes, um dos líderes.
Alguns integrantes do protesto foram recebidos, informalmente, anteontem, em Foz do Iguaçu, pelos governadores do Paraná, Jaime Lerner (PFL), e de Alto Paraná, Jotvino Urunaga (Partido Colorado). A assessoria de Lerner em Curitiba informou à Folha que o governador soube do problema superficialmente e que ainda não houve um pedido formal para o governo do Estado auxiliar na questão.
De acordo com Bernardes, várias autoridades estão manifestando apoio ao movimento. Temos esperança. Mas enquanto não tiver um documento, algo concreto, não vamos suspender o protesto.





