A exuberância de cores e formas poderia indicar que a natureza caprichosamente havia antecipado a primavera, já que ainda falta praticamente um mês para o início oficial da próxima estação. Mas o fato é que a florada precoce de muitas espécies de plantas foi provocada pela onda de calor decorrente de um bloqueio atmosférico que atingiu o Estado. Segundo o Sistema Meteorólogico do Paraná (Simepar), o aumento da temperatura e a estiagem eram esperados mas, como a falta de chuvas já dura 23 dias, esse mês de agosto pode ser um dos mais secos dos últimos cinco anos.
De acordo com o meteorologista do Simepar, Marcelo Brauer, um fenônemo classificado de bloqueio atmosférico trouxe uma massa de ar seco e quente que ficou estacionada, principalmente no Norte do Estado. Ele explicou que tal bloqueio dura entre sete e oito dias, inibe a formação de nuvens e aumenta a temperatura. A tendência, observou o especialista, é o fenônemo se dissipar nos próximos dias. Já para a próxima semana, a previsão é que ocorram chuvas fracas acompanhadas de temperaturas mais amenas.
Brauer afirmou que as árvores floresceram mais cedo justamente por causa desse aumento da temperatura. Recebendo mais calor por dia, as plantas aceleram o desabrochar das flores e preenchem, com cores diversas, a sisudez do inverno. Em Londrina, assim como em muitas outras cidades do Estado, mesmo antes de terminar o inverno, primaveras, ipês, quaresmeiras, entre outras espécies, já enfeitam avenidas, praças e quintais. As árvores compensam a seca com as reservas de nutrientes acumulados durante os meses frios.
Mas mesmo com flores, o meteorologista observou que o clima no Paraná ainda deve ser afetado por frentes frias moderadas. Geadas podem atingir as áreas mais altas. ''A consolidação da primavera só deve acontecer no início de outubro'', apontou.
O meteorologista explicou que mesmo com fim do bloqueio, as chuvas não devem ser abundantes. Isso porque, tradicionalmente, o mês de agosto é o mais seco do ano. A média pluviométrica histórica fica entre 40 e 80 milímetros. Mas a expectativa é que esse inverno seja o mais seco desde 1999, quando o Paraná enfrentou um período de quase três meses sem chuvas.

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