Blocos de escandalosas causam furor
Uma das tradições do Carnaval antoninense é o desfile de homens vestidos de mulher. Não importa o bloco - em todos eles há pelo menos um integrante que faz seu show particular. Os concursos de escandalosas são uma tradição também em outras cidades litorâneas, como Olinda, Florianópolis e Rio de Janeiro.
Um dos novos blocos de Antonina, o Estivalosa, formado por dissidentes dos Apinajés (um dos blocos mais antigos do Brasil), tem sua escandalosa: o estivador Ildo Pereira, 35 anos, casado, sem filhos. Ele sai vestido de mulher há quatro anos. Sábado passado, quando o bloco entrou na avenida, ele exibiu os músculos - graças ao trabalho pesado - com trejeitos bem femininos. É divertido. Na verdade estamos brincando de ser mulher.
O bloco Estivalosa foi formado no ano passado e participou pela primeira vez do carnaval de rua de Antonina. Segundo o presidente do bloco, João Pires, o Estivalosa surgiu dentro do porão de um navio. Eu e dois amigos decidimos deixar o Apinajés e formar nosso próprio bloco. Hoje somos 30 integrantes, diz.
Eu sozinhoAntonina talvez seja a única cidade no Brasil que tem sua escandalosa que sai sozinha (ou sozinho), há 18 anos.
Aloísio Barbosa, de 49 anos, se veste de mulher há mais de 30 anos. Desde que me conheço por gente, diz. Casado, pai de dois meninos, Aloísio não deixa de desfilar na avenida um dia - ou noite - sequer. Começo na sexta-feira e termino somente na quarta-feira, garante. Em 1980 resolveu desfilar sozinho, vestido de mulher. E desde então carrega uma placa com os seguintes dizeres: Respeite as velhas, coma as novas. Você entende do jeito que quiser, brinca. (F.P.)





