Entulhos, produtos químicos e dejetos fecais das nascentes à foz, e ao mesmo tempo fonte de água para muitas famílias. Esta é a situação do Rio das Antas, que nasce em um bairro da classe alta e atravessa a cidade de Cascavel, praticamente na zona central.
Os focos e formas de poluição em todo o curso estão sendo levantados por funcionários da Saúde, Vigilância Sanitária e por representantes das próprias comunidades ribeirinhas. Ontem eles fizeram uma ‘‘blitz’’ em vários pontos, provocando curiosidade de moradores e a ‘‘desconfiança’’ de possíveis poluidores.
O rio tem sido motivo de permanente discussão, com denúncias de despejos, algumas intervenções de órgãos ambientais, e mobilização de setores da comunidade. O médico Augusto Fonseca da Costa, dono de uma clínica psicológica, à margem do rio, é autor de denúncia à Promotoria do Meio Ambiente contra empresas que despejavam restos de material de construção e entulhos, exigindo também a punição pelos órgãos públicos. A prefeitura acabou apresentando denúncia-crime contra quatro empresas. O processo ainda está em andamento.
A ‘‘blitz’’ desencadeada ontem conferiu a situação de moradores que, ao mesmo tempo em que jogam dejetos no curso d’água, se servem dele até para consumo. Eles construíram suas casas há muitos anos nas barrancas do rio, que constituem fundos de vale de preservação obrigatória e nos quais não pode haver ocupação.
Dalila Simioni, 52 anos, seis filhos, mora há 30 anos num destes locais, praticamente no centro da cidade. Ela conta que havia até peixe no rio e hoje há ‘‘lixo, esgoto e uma espuma branca’’. Os moradores dizem que há despejos de postos de gasolina e lavagem de carro.
Em outro ponto, há despejos de entulhos em um longo trecho de margens. Uma laminadora construiu moradias para operários também nas margens. Um dos gerentes, Adami Triches, admite que não houve licença para a construção, mas não acha que seja necessária porque ‘‘é só casa para funcionários’’.
Alguns servidores que fizeram o mapeamento da poluição, acompanhados pela imprensa, chamavam atenção mais para problemas causados por moradores do que pelas empresas. Questionados, disseram que ‘‘é para evitar conflitos’’. O médico Augusto Canto, porém, insistiu em que ‘‘todos os problemas devem ser levantados’’.
O mapeamento é uma das etapas do programa de ‘‘territorialização’’ das ações de saúde, que está sendo desenvolvido pela prefeitura. A cidade será dividida em áreas estratégicas para estas ações e nelas serão levantados problemas que incidem sobre a qualidade de vida e, consequentemente, sobre a saúde das pessoas.
Representantes das comunidades estão participando de oficinas de territorialização, quando apontam os principais problemas. No caso das comunidades próximas ao Rio das Antas, a questão ambiental é a que mais merece atenção. O resultado do mapeamento será repassado a órgãos responsáveis pela fiscalização sanitária e ambiental.Edson MazzettoRio das Antas, cheio de entulhos nas margens, corta praticamente o centro de CascavelPaulo Pegoraro

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