Blitz tenta coibir bebida para menores
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terça-feira, 21 de julho de 1998
Célia Baroni 
A Polícia Militar e comissários de menores estão realizando batidas nos bares, lanchonetes e boates de Londrina para evitar abusos e impedir a venda de bebida alcoólica para menores. A operação começou ontem à noite. A promotoria da Infância e Juventude recebeu denúncias de que bebidas alcoólicas estariam sendo vendidas até em carros. O problema se repete toda época de vestibular, quando o número de jovens na Cidade aumenta consideravelmente. Ao todo 22.198 estudantes de 18 estados se inscreveram no vestibular de inverno deste ano da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Os comissários pretendem apurar denúncias de estabelecimentos que estariam distribuindo bebida alcoólica de graça aos vestibulandos, inclusive menores. Estas pessoas que vendem bebida para menores não estão preocupadas com o futuro destes jovens. Só pensam no lucro, afirma a promotora da Vara da Infância e da Juventude, Edina Maria Silva de Paula. As pessoas que forem flagradas vão responder a inquérito policial e receber multa que pode variar de três a 20 salários mínimos. A lei prevê ainda uma pena de seis meses a dois anos de reclusão para o crime.
A Polícia Militar e comissários de menores também vão estar trabalhando para evitar bagunça, atos de vandalismos e excesso de barulho em áreas residenciais. Ligar o som do carro no último volume é proibido. Perturbar a ordem e a tranquilidade alheia é infração e vai ser coibida, informou a promotora. Os maiores presos fazendo baderna vão ser encaminhados à delegacia para averiguação e os menores terão de comparecer à promotoria acompanhados dos responsáveis, como prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente.
Uma das regiões onde os moradores mais sofrem com o caos, nesta época é a área compreendida entre as avenidas Higianópolis e Juscelino Kubitcheck e as ruas Piauí e João Cândido. Neste quadrilátero estão concentrados vários bares e pontos de encontro já tradicionais da juventude londrinense. A bagunça começa na sexta-feira antes do início vestibular e ninguém consegue mais dormir até o final das provas, reclama a advogada Fátima Lucchesi.
Ela mora no centro, praticamente em frente a um dos pontos de encontro dos jovens. Ela conta que o único jeito de conseguir alguns momentos de paz é acionar a polícia para fazer a ronda no local. A polícia passa e eles param por algum tempo; mas pouco depois voltam a ligar os rádios dos carros no último volume, diz. Além do som, acrescenta, os moradores têm de suportar o movimento dos carros e conversas em tom alto até as quatro horas da madrugada.
Eles chegam a organizar partidas de futebol de latinha de cerveja no meio da rua, diz. A advogada afirma que também já foi jovem e prestou vestibular. Festa é válido, mas bagunça não, argumenta. Para ela o principal responsável pela bagunça é o horário das provas do vestibular. Hora de prova de manhã, quando os jovens estão mais descansados e o aproveitamento é melhor. Além disto, com as provas à tarde, eles têm tempo de bagunçar à noite e ficar dormindo de manhã, defende.


