Blitz resgata 17 prostitutas brasileiras
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 27 de fevereiro de 1998
Edna Mendes 
Ney de SouzaAssistênciaDo grupo
de 17
brasileiras
repatriadas,
cinco são
menores de
idade e
foram
encaminhadas
ao Conselho
Tutelar de
Foz do
Iguaçu.
As maiores
de idade
foram levadas
para o
Centro de
Apoio e
Triagem do
MigranteUm grupo de 17 mulheres brasileiras, entre elas cinco menores de idade, que se prostituíam em boates paraguaias foram resgatadas anteontem à noite, em Hernandárias, no Paraguai, durante uma blitz. A operação para combater a prostituição de brasileiras na cidade paraguaia foi realizada pela Polícia Nacional do Paraguai, Poder Judiciário e Consulado do Brasil. Além das brasileiras, sete paraguaias, também menores de idade, foram resgatadas.
Cerca de 30 policiais, dois juízes e uma advogada do Consulado Brasileiro em Ciudad del Este, no Paraguai, participaram da blitz que foi realizada em 20 prostíbulos da região de Hernandárias. Esta foi a primeira operação realizada este ano pelas autoridades paraguaias com a finalidade de combater a prostituição infantil de brasileiras na fronteira entre o Brasil e o Paraguai.
As menores brasileiras - três paranaenses, uma gaúcha e uma paulista - têm entre 15 e 17 anos e não possuem documentos. Elas foram trazidas para Foz do Iguaçu pelo Conselho Tutelar da Criança e do Adolescente e estão sob proteção do órgão. A adolescente N.F.V., 15 anos, de Foz do Iguaçu, foi entregue ainda ontem à família. Ela será submetida a exames médicos, psicológicos e será encaminhada à escola. As outras - R.B.S, 17 anos, E.A.S, 17, A.P.M.,15, L.C.V., 16 anos, - serão encaminhadas para os conselhos das cidades de origem. As maiores de idade seguiram para o Centro de Apoio e Triagem do Migrante de Foz do Iguaçu.
Segundo a conselheira Fátima Dalmagro, duas das menores relataram que tentaram fugir dos prostíbulos e não conseguiram porque sempre tinham dívidas com os donos das boates. Elas contraíam dívidas que nunca acabavam com os donos dos prostíbulos e por isso não podiam ir embora. Estavam aprisionadas.
As menores relataram ao conselho que cobravam de 30 mil guaranis (equivalente a R$ 14,00) por programa e que pagavam 5 mil guaranis (R$ 2,50) cada vez que usavam o quarto para atender os clientes. Elas contaram à Folha que, quando estavam doentes, pagavam multas por não poder atender os clientes. Também disseram que duas brasileiras conseguiram fugir da biltz se embrenhando no matagal próximo a um dos prostíbulos.
Operação frequente O cônsul-adjunto do Brasil em Ciudad del Este, Dijalma Mariano da Silva, disse que as operações para coibir prostituição de brasileiras na fornteira serão realizadas com frequência. Toda a opinião pública paraguaia é contra a presença dessas meninas que se prostituem no Paraguai. Por isso as autoridades estão empenhadas em que haja cada vez mais engajamento da sociedade para combater isso, disse.
Em novembro do ano passado, uma Comissão Especial criada pela Câmara de Deputados esteve em Foz do Iguaçu para apurar denúncias de prostituição infantil, escravidão e tráfico de menores brasileiras para o Paraguai.
Os deputados federais, Roque Zimmermann (PT-PR), Nilmário Miranda (PT-MG) e o ex-presidente do Centro de Direitos Humanos (CDH) de Foz do Iguaçu, Romeu Olmar Klich, conseguiram resgatar a adolescente F.N., 16 anos, que estava em Katuete (cidade na margem paraguaia do Lago de Itaipu, a 120 quilômetros de Foz do Iguaçu). Para trazê-la de volta ao Brasil, a comissão teve que liquidar uma dívida de 30 mil guaranis que a menor tinha com a dona do prostíbulo.


