Numa batida policial, ontem, nas lojas de Ciudad del Este, na fronteira entre Brasil e Paraguai, foram apreendidas 15 escopetas calibre 12 milímetros, 9 revólveres calibre 38, um revólver magnum calibre 357, duas pistolas 9 mm e 300 cartuchos de diversos calibres. Esse aparato de armas era usado por seguranças de estabelecimentos comerciais que vendem mercadorias para sacoleiros brasileiros. Muitos não têm preparo para manejar armas.
A operação foi autorizada pelo juiz Victor Raul Benitez. Ele denunciou a existência de empresas que burlam a legislação paraguaia, usando armas de grosso calibre e de uso privativo do Exército para fazer segurança em lojas e casas de câmbio na cidade fronteriça.
Benitez disse que as primeiras apreensões foram feitas para que a Justiça e a Polícia Nacional tenham um panorama do tipo de armas que esses estabelecimentos estão usando. No entanto, segundo ele, o montante aprrendido não representa 5% do arsenal usado pelos seguranças.
O juiz disse que estava surpreso com o calibre do armamento usado pelos seguranças. ‘‘É inadmissível que estabelecimentos comerciais façam segurança usando metralhadoras e escopetas’’, diz.
A polícia informou que as empresas de segurança de Ciudad del Este estão manejando um verdadeiro Exército paralelo com armas de grosso calibre. ‘‘O equipamento bélico da indústria da segurança está tão bem armada que supera a polícia. Nós, dificilmente conseguimos controlar essa situação’’, admite o assessor do Departamento de Polícia Nacional, Carlos Agusto Rodriguez.
Ele lembra vários incidentes envolvendo seguranças de lojas e casas de câmbio que acabaram em morte. Em nenhum dos casos, segundo ele, estariam envolvidos brasileiros que cruzam a fronteira. Porém, ele lembra do risco que correm as cerca de 28 mil pessoas, entre sacoleiros e trabalhadores, que circulam diariamente pelo centro de Ciudad del Este.
O juiz garantiu que as batidas vão continuar. A Polícia Nacional classificou a atitude do juiz como ‘‘uma explosiva operação que mexe na ferida das empresas de segurança’’. Boa parte das apreensões ocorreram nas casas de câmbio, por onde circulam cerca de US$ 660 milhões de dólares todos os meses.

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