Blitz recolhe armas pesadas em lojas
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terça-feira, 04 de março de 1997
Antonio França Sucursal de Foz do Iguaçu 
Numa batida policial, ontem, nas lojas de Ciudad del Este, na fronteira entre Brasil e Paraguai, foram apreendidas 15 escopetas calibre 12 milímetros, 9 revólveres calibre 38, um revólver magnum calibre 357, duas pistolas 9 mm e 300 cartuchos de diversos calibres. Esse aparato de armas era usado por seguranças de estabelecimentos comerciais que vendem mercadorias para sacoleiros brasileiros. Muitos não têm preparo para manejar armas.
A operação foi autorizada pelo juiz Victor Raul Benitez. Ele denunciou a existência de empresas que burlam a legislação paraguaia, usando armas de grosso calibre e de uso privativo do Exército para fazer segurança em lojas e casas de câmbio na cidade fronteriça.
Benitez disse que as primeiras apreensões foram feitas para que a Justiça e a Polícia Nacional tenham um panorama do tipo de armas que esses estabelecimentos estão usando. No entanto, segundo ele, o montante aprrendido não representa 5% do arsenal usado pelos seguranças.
O juiz disse que estava surpreso com o calibre do armamento usado pelos seguranças. É inadmissível que estabelecimentos comerciais façam segurança usando metralhadoras e escopetas, diz.
A polícia informou que as empresas de segurança de Ciudad del Este estão manejando um verdadeiro Exército paralelo com armas de grosso calibre. O equipamento bélico da indústria da segurança está tão bem armada que supera a polícia. Nós, dificilmente conseguimos controlar essa situação, admite o assessor do Departamento de Polícia Nacional, Carlos Agusto Rodriguez.
Ele lembra vários incidentes envolvendo seguranças de lojas e casas de câmbio que acabaram em morte. Em nenhum dos casos, segundo ele, estariam envolvidos brasileiros que cruzam a fronteira. Porém, ele lembra do risco que correm as cerca de 28 mil pessoas, entre sacoleiros e trabalhadores, que circulam diariamente pelo centro de Ciudad del Este.
O juiz garantiu que as batidas vão continuar. A Polícia Nacional classificou a atitude do juiz como uma explosiva operação que mexe na ferida das empresas de segurança. Boa parte das apreensões ocorreram nas casas de câmbio, por onde circulam cerca de US$ 660 milhões de dólares todos os meses.


