Blitz provoca conflito entre ambulantes e Polícia Militar
Fiscais da Companhia de Urbanização de Londrina (Comurb), policiais militares e vendedores ambulantes formaram um grande tumulto durante uma blitz na tarde de ontem na Avenida São Paulo, no centro de Londrina. Os fiscais, acompanhados dos policiais militares, apreenderam diversas mercadorias que estavam sendo expostas e comercializadas na calçada por 15 ambulantes. Muitos deles reagiram e a confusão somente foi terminar na 10ª Subdivisão Policial (SDP). O único preso foi o ambulante Nivan Assis Nobre. Ele ficou detido por umas horas e depois liberado pelo delegado do 1º Distrito Policial, Edson Ermenegildo.
Na confusão, Nivan teria quebrado o vidro da Kombi onde estavam sendo colocadas as mercadorias apreendidas. O sobrinho dele, Marconi Dantas, disse que foi agredido por um policial militar, ao tentar sair correndo após dar um pontapé na sacola de alhos que estava vendendo. Eu estava nervoso, pois iam levar a mercadoria que representava meu único ganha pão. A gente não encontra emprego e quer trabalhar honestamente e eles não deixam, desabafou o jovem. Ele mostrava um ferimento no cotovelo esquerdo e dizia que havia sido derrubado por um soldado. Marconi denunciou que o mesmo policial também teria sacado a arma e ameaçado de atirar.
Não é possível o que estão fazendo conosco. Eles (os fiscais) somente fazem fiscalização quando os trabalhadores recebem seus salários e nós (ambulantes) temos oportunidade de vender melhor nossos produtos. A única coisa que queremos é que nos dêem o direito de trabalho, nos fornecendo uma licença, afirmou o ambulante Valdemir Marchin. Foram apreendidos sacos com alho, bijuterias e artesanatos. Os fiscais da Comurb não quiseram falar à Folha sobre o caso.
Os policiais militares afirmaram que apenas se defenderam das agressões dos ambulantes. Durante uma discussão no Centro de Triagem da Polícia, anexo a 10ª SDP, os ambulantes teriam agredido verbalmente toda a corporação. Estamos apenas cumprindo ordens. A culpa não é nossa. Sabemos que eles (ambulantes) precisam trabalhar, mas nem por isto precisavam apelar para a agressão, disse um policial que não quis ser identificado.Marcos BorgesTumultoAmbulantes, policiais e fiscais na 10ª SDP: troca de acusaçõesPaulo Ubiratan





