Blitz no Terminal Central alerta mulheres sobre violência doméstica
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segunda-feira, 22 de julho de 2019
Simoni Saris - Grupo Folha 
A violência doméstica contra a mulher não é apenas aquela que deixa marcas no corpo. Sentir ciúmes em excesso, xingar e impedir de estudar, trabalhar, ter amigos ou sair de casa são formas de violência que também devem ser denunciadas e o agressor pode ser enquadrado na Lei Maria da Penha. O alerta foi dado nesta segunda-feira pela Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres durante uma blitz educativa realizada no Terminal Central. A data de 22 de julho foi instituída como Dia de Combate ao Feminicídio no Paraná por meio da lei 19.873/2019 e marca o dia da morte da advogada Tatiane Sptizner, ocorrida em 2018, em Guarapuava (Centro).
A blitz reuniu cerca de 60 pessoas, ligadas ao Numape (Núcleo Maria da Penha), Conselho da Mulher Advogada, CAM (Centro de Referência e Atendimento à Mulher), Conselho Municipal da Mulher, escritório regional da Sejuf (Secretaria Estadual da Justiça, Família e Trabalho), representantes do projeto Mãos Empenhadas, Câmara Municipal e Tiro de Guerra, além da Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres.

O principal objetivo da blitz é evitar casos como o da aposentada Ilaíde Azite Parreira, 65, que durante 14 anos foi vítima da violência doméstica praticada pelo marido. As agressões começaram depois de sete anos de casada, segundo ela, motivadas pela bebida. Ao ser abordada no Terminal Central, ela relatou o que viveu no casamento. “Eu trabalhava e quando chegava em casa, meu marido me batia, quebrava minha boca. E não era só violência física. Eram palavrões também. Quando me separei, ele continuava me ameaçando. No meu trabalho, me mandava recados dizendo que iria me matar. Mandava recados pelos meus filhos. Eu não dormia. Tinha medo o tempo todo”, contou.
Mesmo tendo denunciado o marido aos órgãos competentes, disse Parreira, as ameaças persistiam. “Fui à Delegacia da Mulher, disseram que não era para ele chegar perto de mim, mas ele não respeitava. Estou viva hoje porque sou um milagre de Deus, mas foi um trauma muito grande na minha vida.”
A aposentada aprovou a iniciativa do município e acredita que só com muita informação e união as mulheres podem se livrar dos agressores. “Mulher nenhuma merece passar por isso. Aconteceu a primeira vez? Abandona ele e pega firme. É mentira se ele disser que vai mudar, que vai ser diferente. Nós, mulheres, temos que nos unir e ter muita fé em Deus também”, disse a aposentada.
Membro do Conselho Municipal da Mulher, Antônia Francisca de Araújo defende que os parentes, amigos e vizinhos devem interferir nos casos de violência. “Em briga de marido e mulher deve se meter a colher, sim. Eu mesma já ajudei a prender um agressor. Mesmo que você não conheça o casal, tem que estar ciente e investigar. Muitas mulheres não tomam a iniciativa de procurar ajuda e denunciar. Muitas têm medo, vergonha ou preconceito”, afirmou a conselheira.
“Temos fortalecido muito o nosso trabalho no sentido da prevenção para levar informação ao maior número de pessoas com relação à violência contra a mulher e dizer que a violência não é só a violência física. Existem cinco tipos de violência doméstica e familiar: a moral, a psicológica, a física, a sexual e a patrimonial”, destacou a secretária municipal de Políticas para as Mulheres, Nádia Oliveira de Moura. Informar sobre todos os tipos de violência é importante, segundo a secretária, porque muitas vezes as mulheres sofrem outras formas de agressão antes de chegar na agressão física.
Mais de 2,5 mil mulheres foram abordadas durante a blitz e receberam informações sobre a Lei Maria da Penha e os serviços disponíveis no município para atendimento e acolhimento às vítimas de violência doméstica. O CAM, mantido pelo município, oferece atendimento psicológico, jurídico e assistência social. Em média, chegam ao centro 30 novos casos por mês e, de janeiro a abril, foram feitos cerca de 270 atendimentos mensais. O serviço é totalmente gratuito e funciona de segunda a sexta-feira, das 8 às 17 horas. O telefone do CAM é o 3378-0132. As vítimas também podem recorrer à Polícia Militar, pelo telefone 190; Central de Atendimento à Mulher, 180 e Patrulha Maria da Penha, pelo 153.


