Ney de SouzaBlitzTécnicos do Ministério da Saúde fiscalizam carregamento de carnesTécnicos da Vigilância Sanitária, Receita Estadual e Ministério da Agricultura iniciaram ontem de madrugada blitz para inspecionar os locais de venda de carne e produtos de origem animal em Foz do Iguaçu. Segundo a Associação dos Açougueiros, que administra o Abatedouro Municipal, cerca de 9 toneladas de carne bovina clandestina podem estar sendo consumidas diariamente no município.
De acordo com o médico veterinário responsável pelo Abatedouro, Dorival Jorge Junior, a queda de 80% no número de bois abatidos no local é sinal de que a população da fronteira pode estar consumindo carne sem inspeção. Foz consome diariamente cerca 12 toneladas de carne bovina. Porém, desde o início do ano, apenas 20 cabeças de gado estão sendo abatidas por dia, o que representa apenas cerca de três mil quilos de carne inspecionada distribuídas no mercado.
O abate clandestino, feito geralmente em fundo de quintal na periferia de Foz do Iguaçu, gera um lucro de até 20% para os açougues. No entanto, o veterinário alerta que a carne clandestina está passiva de contaminação porque foi abatida de maneira inadequada, além do perigo de doenças infecciosas registradas em animais.
O Ministério da Agricultura já determinou que os postos de fiscalização instalados na Ponte da Amizade, entre Brasil e Paraguai; e Ponte Tancredo Neves, entre Brasil e Argentina, apertem o cerco contra entrada de carne sem inspeção importadas ilegalmente dos dois países.
Os fiscais da Receita Estadual aproveitaram a blitz para autuar estabelecimentos que vendiam carne sem nota fiscal. A operação, segundo a Vigilância Sanitária não tem data para terminar. Hoje pela manhã, os três órgãos envolvidos na fiscalização divulgam os resultados das apreensões.
CrimeA fiscalização iniciada ontem foi determinada pelo promotor interino de Defesa do Consumidor Renan Gabardo Fava, que na semana passada abriu processo administrativo para investigar a venda de carne clandestina. ‘‘Depois da conclusão das investigações, o Ministério Público vai pedir abertura de processo criminal contra todos os estabelecimentos que estão vendendo carne clandestina’’, adiantou o promotor.
GerênciaA Prefeitura de Foz anunciou ontem que vai iniciar em dois meses o processo de licitação para gerenciamento do Abatedouro Municipal. A medida vai regularizar a situação do local, administrado provisoriamente pela Associação dos Açougueiros, que reúne 28 proprietários de açougues. Com isso, segundo a prefeitura, será possível aproveitar melhor as instalações para industrialização de carnes e derivados.
A prefeitura pediu também a ajuda do Ministério da Agricultura e secretarias estaduais de Saúde e Agricultura para inspecionar e impedir a entrada de carnes clandestinas do Paraguai, Argentina, e de outras regiões do País.

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