César AugustoAtrás do capaceteTrabalho da Companhia de Trânsito na esquina das avenidas JK e Rio de Janeiro: prioridade são os condutores de motocicletasA Companhia de Trânsito (Ciatran), a Prefeitura e o Conselho de Trânsito iniciaram ontem uma série de blitze educativas que têm o objetivo principal de coibir irregularidades praticadas por motoqueiros e, consequentemente, evitar acidentes. A primeira blitz foi realizada no início da tarde, na esquina das avenidas Juscelino Kubitscheck e Rio de Janeiro (área central). Somente em meia hora, cerca de 50 motos foram paradas, principalmente porque seus condutores não estavam usando capacete.
O 2º tenente da Ciatran, Luis Carlos Martins, observa que somente no mês passado, oito motoqueiros morrem em decorrência de trânsito. Ele acredita que a maioria das mortes seria evitada se o motoqueiro estivesse usando capacete. ‘‘Se acontecem 10 acidentes e todos os motoqueiros estão sem capacete, a probabilidade é de sete mortes.’’
Além de falta de equipamento obrigatório, as infrações mais comuns são ausência de documento de habilitação e Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA). Durante a blitz realizada ontem alguns carros também foram parados, mas a prioridade era para os motoqueiros.
O tenente Martins ressalta que as blitze serão realizadas quase que diariamente, em vários pontos da cidade. Cerca de 15 policiais estão envolvidos no trabalho. Nas blitze, as pessoas quem cometem irregularidades do grupo 3 ou 4 (consideradas menos graves, como a falta de capacete) têm a alternativa de trocar a multa por uma palestra educativa.
O técnico do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano (Ippul), Cesar Cassies, ressalta que o comparecimento à palestra é obrigatório, caso contrário, a pessoa recebe a notificação. A multa para o grupo 3 é de R$ 54,64 e o do grupo 4, de R$ 43,71.
César Cassies informa que as blitze educativas e as palestras estavam temporariamente suspensas, mas agora serão retomadas. A primeira palestra está prevista para acontecer no dia 17, às 20 horas, na Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil) - área central. César Cassies acredita que cerca de 60 pessoas deverão comparecer à palestra, onde serão exibidos vídeos e slides tratando de acidentes de trânsito. ‘‘Alguns slides e vídeos são um pouco chocantes, mas queremos apelar para o lado emocional da pessoa.’’
Rodolfo César Guimbarski, 18 anos, foi uma das primeiras pessoas a serem abordadas na blitz. Ele estava com uma Jog que não tinha espelho retrovisor, estava sem capacete e não possui carteira de habilitação.
Convidado a trocar a multa pela palestra, Rodolfo Guimbarski aceitou na hora. ‘‘É claro que vou comparecer, senão eles me multam’’, afirma. Depois de providenciar um motorista devidamente habilitado e com capacete e uma espelho retrovisor, Rodolfo Guimbarski conseguiu a liberação da Jog. ‘‘Agora eu vou providenciar a minha carteira de motorista.’’
Uma mulher pilotando uma moto, sem a carteira de habilitação e com o capacete no braço também foi parada durante a blitz. Ela não quis se identificar, mas alega que costuma usar sempre o capacete na cabeça. Para justificar a ausência do capacete ao ser abordada, ela afirma que ia percorrer um caminho muito curto, por isso não viu necessidade em usá-lo.
Vários menores de idade, pilotando principalmente Jogs, também foram abordados pelos policiais. ‘‘Não tinha ninguém em casa e daí peguei a jog do meu irmão’’, conta um menor de 15 anos. Além de ser inabilitado para pilotar, o menor não usava capacete e a Jog estava sem placas.

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