Blitz da PF prende 10 camelôs por contrabando
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quinta-feira, 06 de março de 1997
Adriana De Cunto 
Dorico da SilvaFlagranteCamelôs são detidos e mercadorias apreendidas perto do cemitério São Pedro: pena de um a quatro anosDez camelôs foram presos ontem de manhã pela Polícia Federal em Londrina. A PF diz que eles vendiam mercadorias contrabandeadas na feira livre que acontece perto do cemitério São Pedro (centro).
A ação da PF - em conjunto com a Receita Federal -, começou por volta das 10 horas e demorou cerca de 20 minutos. Pouca coisa foi apreendida pela blitz de 10 policiais federais e 20 auditores fiscais da Receita: pacotes de cigarro, fitas de vídeo, canetas, brinquedos e outras mercadorias. Os ambulantes presos foram levados para a delegacia da PF, na rua Quintino Bocaiúva (centro), alguns deles acompanhados dos filhos menores, que os ajudavam a vender as mercadorias nas barracas.
Algumas pessoas que estavam na feira e assistiram à operação policial ficaram indignadas com a prisão dos camelôs. Sem querer ser identificada, uma mulher disse que foi à feira só para comprar cigarros vindos do Paraguai: A maioria dos camelôs da feira depende disso para sobreviver, reclamou. Um transeunte gritou para os agentes federais: Prender ladrão de banco vocês não prendem. Mas pessoas que estão trabalhando vocês prendem!
Muito nervoso, o camelô Isaac Pereira Ramos, de 40 anos, depôs na PF com a filha de cinco anos no colo. Ele disse que está desempregado e perdeu tudo o que tinha - cerca de R$ 1 mil entre cigarros contrabandeados, brinquedos e outras coisas. Com mais três filhos para criar, Isaac desesperava-se: Não sei o que vou fazer agora.
Aparecida Bruneto, 51 anos, também teve toda a mercadoria apreendida - cerca de R$ 1 mil em cremes, esmaltes, canetas e brinquedos. É com a venda disso que a gente sobrevive.
O chefe da divisão da Polícia Federal de Londrina, José Roberto Morel, explicou que a blitz foi realizada a pedido do procurador da República Mário Ferreira Leite. O chefe do setor operacional da PF, José Carlos Carvalho, lembra que as pessoas que tiveram a mercadoria apreendida têm 30 dias para apresentar a nota fiscal. Passado o prazo, elas serão encaminhadas para leilão na Receita Federal.
Carvalho avisa que este tipo de operação será realizado frequentemente nas feiras livres da Cidade e também nos pontos utilizados pelos camelôs.
Logo depois da apreensão, os policiais federais e auditores fiscais começaram a fazer a contagem da mercadoria. A estimativa da Receita é que a apreensão fique em torno de US$ 8 mil.
Depois de lavrado o flagrante, o delegado da PF João Luiz do Prado disse que os camelôs estariam à disposição da Justiça, que deveria arbitrar ainda ontem o preço da fiança. Todos vão responder a inquérito por contrabando ou descaminho (venda de mercadoria sem nota fiscal). A pena para estes crimes varia de um a quatro anos de prisão.


