Blitz contra o terrorismo prende xeque na fronteira
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sexta-feira, 04 de setembro de 1998
Valmir Denardin 
O xeque (sacerdote da religião muçulmana) Charif Mohamad Al Saied foi preso ontem, em Ciudad del Este, durante operação do Ministério Público e do serviço de inteligência da Polícia Nacional do Paraguai, para descobrir ligações de árabes da cidade com grupos internacionais do terrorismo islâmico.
Apesar de não ter sido comprovada qualquer ligação do xeque com o terrorismo, Al Saied, que é libanês, foi preso porque estava com um documento de imigração falso. Segundo a Polícia Nacional, o xeque será expulso do Paraguai. Outros cinco árabes foram detidos durante a operação, mas liberados após apresentar documentos legais.
A operação foi comandada pelo juiz Victor Benítez Bogado, de Ciudad del Este (cidade na fronteira com Foz do Iguaçu), e quatro policiais do Departamento de Inteligência da Polícia Nacional, com sede na capital, Assunção. Alguns desses policiais receberam treinamento anti-terrorismo nos Estados Unidos.
Ney de SouzaJuiz apreende documentos e computador em mesquita de Ciudad del EsteEscoltado por dezenas de policiais armados, o grupo vistoriou duas mesquitas (templos da religião muçulmana). Na primeira delas, que funcionava em uma sala num prédio comercial no centro, foi apreendido um computador com conexão com a Internet. Na segunda, foram apreendidas três fitas de vídeo e alguns documentos.
Segundo um funcionário da mesquita, nas fitas estão gravados cultos. Nesse templo também havia um computador, que não foi apreendido. Os policiais apenas imprimiram e recolheram cópias de dois textos em árabe que estavam armazenados.
Agora, esse material será examinado pelos peritos do Serviço de Inteligência. O juiz Bogado disse que, a princípio, não há indícios de ligação das pessoas detidas com o terrorismo. Ainda é cedo para afirmar qualquer coisa. O relatório do juiz deve ser concluído na próxima semana.
O funcionário da mesquita disse que o xeque Al Saied mora há apenas dois meses em Ciudad del Este. De acordo com esse funcionário, ele tinha visto de permanência no Brasil e o documento paraguaio falso foi fornecido por uma mulher que obtém documentos para estrangeiros. Ele foi uma vítima, afirmou.
A operação de ontem foi realizada a pedido da Câmara de Vereadores de Ciudad del Este. A suspeita da existência de células terroristas na Tríplice Fronteira (Brasil-Paraguai-Argentina) foi levantada pelo governo argentino, depois que, em julho de 94, um atentado a uma associação de judeus em Buenos Aires deixou 86 mortos.


