Inúmeros casos de atendimentos envolvendo crianças e adolescentes com lesões graves, vítimas de acidentes de trânsito, são a motivação da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) para realizar uma campanha de conscientização há dez anos. Com o objetivo de orientar os motoristas quanto à melhor maneira de transportar bebês, crianças e adolescentes nos veículos, uma blitz educativa foi realizada ontem em Londrina. O evento aconteceu na Avenida JK, próximo ao cruzamento com a Rua Paranaguá (Área Central).
O presidente da SBOT do Paraná, Luis Eduardo Munhoz da Rocha, explicou que, além da campanha buscar divulgar aos motoristas os cuidados com a criança no carro, o assunto é um dos principais temas abordados no 8º Congressoá Paranaense de Ortopedia e Traumatologia, que começou ontem e vai até sábado, no Hotel Blue Tree, em Londrina.
''É um assunto antigo e que já é debatido há muitos anos entre os ortopedistas. Atendemos diariamente casos de crianças que sofrem traumas gravíssimos pela falha da maneira em que foi transportada dentro do veículo. As pessoas precisam adotar os procedimentos corretos para se evitar mais mortes'', disse.
Dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), aponta que cerca de duas mil crianças e adolescentes com até 17 anos morrem anualmente no Brasil em acidentes de carro e cerca de 37,8 mil sofrem lesões. A coordenação da campanha quer levar à sociedade informações que contribuam para a redução dessas estatísticas.
Rocha lembrou que as batidas de automóvel em que a criança não está acomodada com segurança representam 16% dos acidentes fatais. A maioria dos acidentes ocorre em trajetos curtos, como no caminho de casa para a escola. ''A grande maioria dos acidentes graves acontece a cerca de dois quilômetros da casa do motorista. É aquele hábito que as pessoas têm de acharem que por estarem perto de casa não correm o risco de sofrer um acidente. Tenho caso de um bebê de três meses que ficou paraplégico por ter sofrido um trauma na coluna quando estava no colo da mãe, no banco da frente, no momento de um acidente'', contou.
Durante a blitz, os motoristas receberam panfletos explicativos. Jurema de Almeida, mãe de três filhos, disse que durante toda a infância transportou seus bebês em cadeirinhas próprias. ''Eu acho que é importante essa ação. Muitas pessoas não levam esse procedimento a sério'', comentou.
Outra motorista, Mirian Rangel, ficou bastante satisfeita com a ação dos ortopedistas. Ela disse que hoje seus filhos já estão casados, mas que sempre que transporta seus netos, eles ''sempre vão para o banco de trás''. ''No banco da frente criança não fica. Achei muito bom a blitz e as pessoas precisam perceber a importância disso''.

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