Caminhoneiros que passaram por Londrina, ontem pela manhã, tiveram que interromper seu trajeto por alguns minutos para tratar de um problema grave: a prostituição de crianças e adolescentes. Representantes do Serviço Nacional de Aprendizado no Transporte (Senat), junto com a Polícia Rodoviária Estadual, abordaram dezenas de motoristas em frente ao Parque Ney Braga (Zona Oeste), colhendo assinaturas para um manifesto que será encaminhado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
No Paraná, a blitz também foi feita em Santo Antônio da Platina, Maringá, Guarapuava, Cascavel e Curitiba. O abaixo-assinado, realizado em todo o país, pede modificações na legislação que trata da prostituição infanto-juvenil, além de ações que mobilizem toda a sociedade na luta contra esse crime. O coordenador de Promoção Social do Senat em Londrina, Iroaldo Aparecido Beverari, afirmou que a entidade espera reunir 100 mil assinaturas no Brasil até 18 de maio, Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.
''Ações existem, mas não são divulgadas. É preciso difundir o problema, para que a sociedade tome conhecimento e denuncie'', ressaltou. O Senat constatou que os caminhoneiros estão entre os principais ''usuários'' da rede de prostituição, que está bastante presente nas estradas brasileiras.
O comandante da 2 Companhia da Polícia Rodoviária, capitão Sérgio Dalben, explicou que a falta de leis específicas é o principal obstáculo para o trabalho da polícia, que depende de denúncias para tomar providências. ''É uma situação muito complicada. Só podemos levar as crianças para o Conselho Tutelar se houver queixa ou se ficar configurada a situação de risco, o que é difícil comprovar'', exemplificou.
O caminhoneiro Lucílio Squissatto, 43 anos, de Rolândia (25 km a oeste de Londrina), um dos motoristas que foram parados na blitz de ontem, contou que é bastante comum ver adolescentes se prostituindo nas estradas do Paraná. ''Muitos fingem que estão pedindo carona, mas você percebe pelos gestos que estão 'oferecendo serviço'. Eu nem penso em parar, mesmo porque é muito perigoso'', comentou. Para ele, a fiscalização nas rodovias deveria ser mais rígida.
Serviço O número nacional do Disk Denúncia contra esses casos é 0800-99-05-00. A ligação é gratuita.

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