Curitiba - Com a implantação da lei antifumo no Paraná, surgiu um novo problema: o aumento do microlixo. Por isso, as ruas em frente aos bares e estabelecimentos comerciais estão repletas de bitucas jogadas pelos fumantes. Não bastasse a sujeira, as bitucas colaboram também para o entupimento de galerias pluviais, o que gera um aumento no custo da manutenção e limpeza.
Tentanto contribuir com o meio ambiente e oferecer mais comodidade aos clientes, proprietários de bares e restaurantes criaram algumas alternativas. Como as pessoas têm que se retirar do recinto para poder fumar, alguns locais estão colocando grandes cinzeiros nas calçadas. Em Londrina e Curitiba, já é possível encontrar bares com o chamado ''bitucódromo''.
Parecidos com os cinzeiros vistos antigamente em shoppings e hotéis, o bitucódromo, grande parte de alumínio, fica na calçada durante o funcionamento do estabelecimento. ''Colocamos na hora do happy hour e retiramos no final da noite. Tanto o cinzeiro quanto a calçada são limpos diariamente e os resíduos jogados devidamente no lixo'', explica o dono de um bar em Londrina, Arnobio Medeiros.
O empresário conta que decidiu instalar o bitucódromo assim que a lei entrou em vigor, no final de novembro do ano passado. ''No primeiro dia da lei antifumo, já percebemos um enorme aumento de restos de cigarro jogados na rua e na calçada. Além de ser uma forma de reduzir o lixo, os clientes que fumam se sentem respeitados. A maioria têm consciência de que o cigarro incomoda, mas eles ficaram sem opção.''
No entanto, Medeiros se preocupa com a repercussão. ''Disseram ao gerente do bar que poderíamos ser multados por colocar o cinzeiro na calçada. Mas se estou colaborando com a limpeza da cidade, vou ser multado por isso?''
Arlindo Ventura, proprietário de um tradicional bar de Curitiba, também encontrou no bitucódromo uma saída para o microlixo gerado por seus clientes. Ele fixou na parede externa um tubo de alumínio revestido com um adesivo representando um cigarro aceso. Arlindo se inspirou em um modelo que ele viu em um brechó. Ex-fumante, ele comenta que o indivíduo que fuma não percebe a sujeira gerada por seu vício: ''É uma sujeira invisível''.
Marcela Gomes Cassou, fumante há seis anos, tem um hábito que poucos possuem. Sempre procura um lixo ou mesmo guarda em garrafas plásticas vazias as bitucas de seus cigarros. ''As ruas ficaram mais sujas depois dessa nova lei'', comenta.
A vereadora de Curitiba, Noemia Rocha (PMDB), apresentou um projeto de lei que determina a instalação de lixeiras específicas para bitucas em locais públicos e áreas destinadas aos fumantes. A proposta também pretende proibir que os fumantes joguem esse lixo nas ruas, parques e praças. Quem desrespeitar poderá pagar uma multa de R$ 50,00. Com base em dados do Ministério da Saúde, a vereadora calcula que 18,2% da população de Curitiba fuma, gerando em torno de 1,5 tonelada/dia de microlixo. (Colaborou Marian Trigueiros)

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