O bispo diocesano de Campo Mourão, Dom Mauro Aparecido dos Santos, disse ontem, à Folha que as pessoas do município precisam ter ‘‘senso crítico’’ quando recebem a notícia de que estão sobrando vagas para se abrir valetas em ruas da cidade. ‘‘Não podemos nos iludir achando que não há desemprego’’, frisou. ‘‘Não é porque uma pessoa está desempregada que ela deva se sujeitar a qualquer tipo de trabalho’’, completou.
O questionamento do bispo já foi abordado por ele próprio numa missa dominical. Ele se referia às obras de ampliação da rede de esgoto da cidade, que necessitavam de pelo menos 140 homens, mas que estavam com apenas 70 trabalhando até a semana retrasada, depois de quase dois meses de inscrições abertas. ‘‘Um professor desempregado, por exemplo, deve ter trabalho em sala de aula e não fazendo valetas’’, ressaltou.
O bispo tocou no assunto durante a missa porque o desemprego é o tema deste ano da Campanha da Fraternidade, realiza pela Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). ‘‘Se estão sobrando vagas para serviços braçais, ótimo, mas e as outras categorias profissionais?’’, questiona Dom Mauro, que está a frente da Diocese de Campo Mourão há menos de um mês. Ele assumiu o cargo no dia 21 de fevereiro, com a morte de Dom Virgílio de Pauli.
Segundo Dom Mauro, as pessoas também devem se questionar por que estão sobrando vagas. ‘‘Será que o valor pago não está muito baixo?’’, pergunta. Ele ressaltou ainda que não acha justo que jovens com 2º grau tenham que trabalhar na escavação de valetas. ‘‘A maioria não tem nem força física para isso’’. Em matéria publicada no dia 6, a Folha mostrou os irmãos Márcio e Cláudio Quennehen, que trabalhavam na obra, apesar de serem técnicos em contabilidade.
A agência do Sistema Público de Emprego (Sempre) de Campo Mourão informou ontem à tarde que a situação já está normalizada e as 90 vagas que estavam abertas foram preenchidas. ‘‘Vamos manter as incrições apenas para preencher as desistências’’, explicou um funcionário do órgão. A Construtora Ábaco, de Cascavel, que realiza o serviço, diz que pode usar máquinas no serviço se a mão-de-obra voltar a faltar. Uma máquina faz o serviço diário de 36 homens.

mockup