Paulo WolfgangSem condiçõesJosef Satoshi Fukahori: ‘‘A Igreja Católica no Japão ainda não adotou uma política de apoio institucional aos dekasseguis’’ Se você tem a intenção de ganhar dinheiro trabalhando no Japão, não imigre. A crise econômica japonesa deve perdurar por uns dois ou três anos e dificilmente você vai encontrar emprego que lhe permita fazer poupança. O conselho é do bispo Josef Satoshi Fukahori, 74 anos, da diocese de Takamatsu, que fica na ilha de Shikoko, região centro-sul do Japão, a aproximadamente 800 quilômetros de Tóquio.
Dom José, como é tratado pelos fiéis brasileiros, proferiu palestra para cristãos nipo-brasileiros, ontem em Londrina, de onde foi para Nova Esperança (a 35 quilômetros a noroeste de Maringá). Ele visita, ainda, Maringá, Arapongas, Foz do Iguaçu e Curitiba.
A crise econômica está contribuindo até para que os japoneses imigrem. Segundo o bispo de Takamatsu, muitos japoneses, especialmente jovens, estão imigrando para a China, Índia, Austrália, África do Sul e, até, para a América Latina.
Segundo o bispo Josef Satoshi Fukahori, a imigração de jovens japoneses está ocorrendo não somente por cansa da crise econômica e de menores oportunidades de negócios ou bons empregos. ‘‘Há, principalmente, uma necessidade de aventura e contatos com outras culturas, sentimento comum entre jovens de qualquer parte do mundo.’’
Dom Fukaori destaca a importância da imigração motivada por outras razões que não somente as econômicas. ‘‘É muito bonito ver jovens de países mais ricos imigrarem para países mais pobres e vice-versa com o sentimento de confraternização e transformação de sentimentos. A Igreja Católica incentiva essa mudança de sentimentos. Isso fortalece o cristianismo.’’
Apesar da crise econômica e de suas consequências, sobretudo para os estrangeiros que passam necessidade por causa do desemprego ou por dificuldade para sobreviver devido aos baixos salários, a Igreja Católica no Japão ainda não adotou uma política de apoio institucional aos dekasseguis. ‘‘Ainda não dispomos de condições que permitam, por exemplo, auxiliar na repatriação dos estrangeiros’’, esclarece.
O bispo japonês destaca, entretanto, que a Comissão dos Bispos do Japão, equivalente à Conferência dos Bispos do Brasil (CNBB), criou uma Pastoral dos Estrangeiros, para dar apoio aos imigrantes. ‘‘Damos apoio espiritual e também material’’, destaca, enfatizando, entretanto, que essa ajuda se limita aos problemas do cotidiano dos estrangeiros, como uso de intérpretes para imigrantes que não dominam a língua japonesa.
Dom Josef ressalta que a crise econômica japonesa é menos sentida na sua diocese. Segundo ele, o problema maior está nos grandes centros industriais. Os estrangeiros que vivem nas cidades menores normalmente estão estabilizados economicamente e pretendem continuar vivendo no Japão. ‘‘Aos dekasseguis recomendamos que esperem a crise econômica ser superada.’’

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