Bispo diz que político pró-aborto não deve comungar
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sábado, 19 de maio de 2007
José Maria Mayrink<br>Agência Estado 
Aparecida - O presidente do Pontifício Conselho para a Família, o cardeal colombiano Alfonso López Trujillo, um dos homens mais poderosos e conservadores da Cúria Romana, advertiu os bispos que participam da 5 Conferência do Episcopado da América Latina e do Caribe que políticos que aprovam ''leis iníquas'' não devem receber a eucaristia, porque negam valores imprescindíveis sobre os quais a Igreja não pode negociar.
Trujillo, que, como os demais cardeais, tinha sete minutos para falar sobre ações e orientações de seus conselhos e comissões, protestou quando foi informado que seu tempo estava esgotado. Ocupou o microfone por mais três minutos e, ao encerrar a intervenção, a mais dura até agora na conferência, recebeu tímidos aplausos.
A penalização mencionada pelo cardeal, pela qual os fiéis atingidos são excluídos da comunidade, está de acordo, segundo ele, com o que o papa Bento XVI afirmou na exortação apostólica Sacramentum Caritatis (Sacramento da Caridade) e impõe aos bispos a obrigação de interpelar parlamentares que votam pela aprovação de leis como a do aborto.
''Nunca imaginei que houvesse tão dolorosa transformação de governos e parlamentos em uma conjuração que converte o delito em direito. Querem introduzir falsos novos direitos em nome da não discriminação. São poucos os países que representam até o momento honrosas exceções.''
''Os governos, os meios de comunicação e tantos que escavam a nossa sociedade não podem nos silenciar. O perigo cresce. Somos todos suficientemente conscientes do grande desafio? As leis revelam uma visão do homem, uma 'oral' implícita que procura impor projetos contra o bem do homem e da mulher no bem comum dos povos. Aparecem o tempo todo falsas 'definições' da família e da vida, que aprisionam a verdade em novas ideologias.''
O cardeal brasileiro dom Cláudio Hummes, prefeito da Congregação para os Bispos, fez críticas aos ''altos custos'' da globalização e uma advertência sobre o aumento da fuga de fiéis católicos para outras religiões. Ele apontou o desemprego como ''talvez a maior e mais resistente chaga social do continente''.


