Biscoito Glória, hoje Picopato, continua com produção artesanal
Biscoito Glória, hoje Picopato,
continua com produção artesanal
Marcelo Almeida
As tradicionais bolachas de pão© de-ló Glória costumavam atrair famílias de toda a cidade. Hoje, a produção se restringe à venda em alguns supermercados e uns poucos saudosistas que procuram biscoitos sem conservantesA fábrica, de produção
artesanal, mantém viva
parte da história da
colonização de Curitiba
Das pessoas com mais de 20 anos em Curitiba, poucas são as que na infância não comeram um biscoito da ex-fábrica Glória (hoje Picopato). Com as tradicionais bolachas de pão-de-ló, sequilhos, carolinas, entre outras 15 variedades, a fábrica, em seus tempos aúreos, atraía famílias de toda a cidade habituadas a seus produtos. Hoje, a produção da empresa, que permanece artesanal, ficou limitada a um mercado restrito - de alguns supermercados, dos saudosistas e consumidores que ainda gostam de biscoitos sem conservantes.
Somos uma fábrica tradicional que mantém na sua produção parte da história da colonização de Curitiba, afirma o proprietário da empresa, Carlos Vendrametto. Ele conta que a empresa nasceu no início do século, em 1907, quando seu avô, o imigrante italiano Angelo Vendrametto, fundou a fábrica. Na época, ele deu à empresa o mesmo nome do bairro, que se chama Alto da Glória, lembra. Durante anos, a empresa retirou de seus fornos biscoitos da marca Glória. Os curitibanos por diversos anos tinham duas opções em biscoito - o Glória e o Lucinda, empresa que foi comprada pela Tip-Top, diz.
Hoje, o estabelecimento tem outro nome, por causa de uma briga judicial. No começo desta década, a fábrica foi pressionada por uma multinacional, que pediu a retirada do produto. Eles alegavam que a gente estava pegando carona na marca de leite Glória. Mas nossa marca existe há muitos anos, conta. Depois de quatro anos de brigas nos tribunais, Carlos preferiu abrir mão da tradição e história da família a ter de fechar a fábrica por falta de dinheiro.
Atualmente, a empresa se chama Picopato. O nome que queria era Picobelo, mas já existia o registro de uma indústria de bolachas com este nome, diz. Carlos afirma que, mesmo mudando de nome, a empresa mantém a mesma caraterística de seus produtos.
Atualmente, a empresa destina 60% da sua produção ao Mercadorama e 20% ao Coletão, sendo que o restante é para a venda a varejo. Os biscoitos Glória cresceram junto com o Mercadorama, mesmo mantendo a forma artesanal de produção, conta. Carlos diz que a empresa não pretende se industrializar. A qualidade desse tipo de bolacha cairia se fosse feito por máquinas, conta Carlos, que não quer mudar esse sistema enquanto estiver à frente da empresa. (I.R.)





