É quase impossível encontrar crianças pequenas que não abusem do choro e dos gritos sempre que são contrariadas. Mais raro ainda é achar pais que saibam lidar com esse comportamento. A boa notícia é que existem alternativas para controlar o impulso de filhos que fazem birra todas as vezes que ouvem um ''não''.
A psicóloca Kellen Escaraboto, de Londrina, explica que o primeiro passo é identificar quando a criança está realmente fazendo birra. ''Geralmente entendemos como birra um comportamento de teima, obstinação ou zanga. Mas o choro pode ter diferentes funções, como expressar uma sensação de dor, chamar a atenção da mãe, expressar a raiva e a frustração, dentre outros'', destaca.
Kellen ressalta que a birra não é inata. ''Todo e qualquer comportamento só pode ser aprendido. Desta forma, para identificarmos se um determinado comportamento é birra ou não precisamos entender a sua função e o contexto em que ocorre'', afirma.
Segundo Kellen, as crianças pequenas tendem a se comportar mais desta forma porque têm uma dificuldade para se expressarem e discutirem acerca dos seus direitos. ''Outro ponto importante é que nesta idade o choro e a raiva geralmente controlam o comportamento dos pais, ou seja, quando uma criança começa a gritar em um mercado porque deseja alguma coisa é mais fácil a mãe lhe dar o que deseja e se livrar do choro do que enfrentá-la e deixá-la chorar'', explica.
De acordo com a psicóloga, quando este tipo de comportamento não é manejado de forma efetiva as crianças crescem entendendo que chorando e brigando podem conseguir o que desejam. ''Elas podem vir a se tornar adultos que reagem de forma parecida diante de situações que sinalizam frustrações.''
Ela diz que o segredo para acabar com as birras é a prevenção. ''As palavras mágicas para modificar o comportamento de uma criança são 'antecedente' e 'consequência'. Um antecedente é um ato que vem antes do comportamento e que torna o cenário propício para isso. Quando eu digo para uma criança que nós vamos ao mercado e eu gostaria que você me ajudasse com as compras, estou criando um antecedente que vai a ajudar a criança perceber como eu gostaria que ela se comportasse, ou, o que ela precisa fazer para obter minha atenção'', explica.
Já a consequência é estabelecida a partir do momento que os pais valorizam o bom comportamento dos filhos. ''Uma forma é descrever, por exemplo, o quanto os pais sentem-se felizes por ela estar ajudando. E isso precisa ser falado, porque a criança não percebe sozinha'', aconselha Kelen.

mockup