O Banco Mundial (Bird) vai mandar novamente o ecologista George Ledec para o Paraná, a fim de verificar as iniciativas tomadas pelo governo do Estado para preservar o macuquinho-da-várzea, uma nova espécie de ave encontrada na área que será alagada pela barragem do Iraí, em Quatro Barras, na Região Metropolitana de Curitiba. Relatório preliminar encaminhado por Ledec ao governo revela que na pesquisa científica foram mortos cinco espécimes da ave para análise anatômica e fisiológica. O documento também coloca em xeque a decisão do governo do Estado de criar um parque para o macuquinho, já que os ambientalistas reclamam da falta de uma pesquisa séria para identificar áreas que possam servir de abrigo para a ave.
O governo está atento à observação do Banco Mundial, um dos financiadores da barragem do Iraí, tanto que o próprio governador Jaime Lerner assumiu o compromisso de criar o parque. A medida, no entanto, é duramente criticada pelos ambientalistas. Tereza Urban, do Fórum Pró Conservação da Natureza no Paraná, diz que ‘‘essa história do parque não é aceitável, a não ser que seja precedida de uma pesquisa séria, porque se sabe muito pouco sobre a espécie e não se pode propor simplesmente o transporte para uma outra área’’. Duas outras áreas próximas a Quatro Barras foram identificadas como possíveis locais, mas ainda não há confirmação se o transporte vale o risco.
Ontem à tarde a comissão do governo que está cuidando do assunto se reuniu com técnicos da Sanepar e com os descobridores do macuquinho, os biólogos Bianca Reinert e Marcos Bornschein. Na semana passada, uma missão oficial do governo do Estado, comandada pela coordenadora do Centro de Coordenação de Programas de Governo da Secretaria do Planejamento, Yara Eisenbach, esteve em Washington conversando com os técnicos do Bird.
Na volta da viagem, a assessoria de imprensa da secretaria distribuiu nota afirmando que ‘‘todas as providências para a futura implantação de uma unidade de conservação destinada ao macuquinho-da-várzea foram iniciadas pelo governo do Estado’’. Segundo a nota, a Sanepar não realizará ‘‘qualquer tipo de trabalho que afete o habitat’’ da ave.
Apesar do aparente empenho do governo, os ambientalistas não estão satisfeitos. ‘‘Para se ter uma idéia o Fórum fez uma auditoria que apontou 29 medidas que deveriam ser tomadas em relação à barragem do Iraí, mas nenhuma delas foi implantada totalmente’’, criticou Tereza Urban. A pior delas, afirma, é falta de pesquisa sobre toda a fauna existente na região que será alagada.Arquivo FolhaHabitatEncontrado na região que vai ser inundada pelo reservatório do Ivaí, pássaro pode estar ameaçado de extinção, segundo ambientalistasEcologista do Banco Mundial vai voltar ao Paraná para verificar ações do governo para preservar o macuquinho
Cinco espécimes do
macuquinho teriam
sido mortas para
dissecação e análise

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