O município de Toledo poderá ser um dos beneficiados com recursos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (Bird) que serão repassados ao Programa Nacional do Meio Ambiente. O Bird irá repassar US$ 5 milhões para financiar projetos direcionados às questões ambientais em todo o País. No Paraná, trabalhos direcionados à conservação da Mata Atlântica também podem ser beneficados com os recursos.
O diretor-técnico do Bird, Daniel Gross, e técnicos do Ministério do Meio Ambiente reuniram-se ontem com representantes da prefeitura e órgãos estaduais e conheceram um diagnóstico dos problemas ambientais provocados pela suinocultura na bacia do rio Toledo. Gross salientou que o banco ainda não tem definido quanto será destinado para cada região. Ele adiantou que apenas três Estados, entre eles o Paraná, estão até agora qualificados para receber os recursos. ‘‘A liberação será iniciada após a apresentação e avaliação dos projetos pelo Ministério do Meio Ambiente’’, explicou.
O secretário municipal do Meio Ambiente de Toledo, André Angonese, disse que a bacia hidrográfica do rio Toledo é responsável pelo abastecimento de aproximadamente 55 mil pessoas. Na extensão de 15 quilômetros do rio, até a captação de água da Sanepar, concentra-se um rebanho de mais de 15 mil suínos, em diversos sistemas de criação.
Angones alegou que esses animais geram potencial de poluição equivalente a uma cidade de 120 mil habitantes. Ele argumentou que a suinocultura vem crescendo e que alguns produtores ainda não utilizam medidas preventivas. ‘‘Como a criação de suínos está concentrada, e existem grandes rebanhos, os dejetos podem exceder a capacidade de absorção dos ecossistemas locais e causar danos ambientais’’, alertou.
Daniel Gross, do Bird, afirmou que ‘‘seria prematuro’’ avaliar as consequências ambientais decorrentes da suinocultura nas regiões Oeste e Sudoeste do Estado. ‘‘A gravidade dos problemas e as soluções cabíveis teremos após as visitas e discussões’’, observou, destacando que o Bird e o Ministério do Meio Ambiente buscam soluções que sejam econômicas e ambientalmente sustentáveis.
O diretor do Bird salientou que os recursos a serem liberados não vão resolver de uma vez os problemas, mas ele acredita que seja possível desenvolver um sistema de produção melhor com o envolvimento de organismos ambientais e produtores. ‘‘O volume de recursos é pequeno diante do problema e da escala de produção, mas estamos buscando alternativas para resolvê-los’’, frisou.
A técnica do Ministério do Meio Ambiente, Maricy Marino, informou que cabe a cada Estado levantar sua área prioritária de ação e apresentar projeto para inclusão no Programa Nacional de Meio Ambiente. ‘‘No caso do Paraná, foram apontados o impacto da suinocultura no Oeste e a conservação da Mata Atlântica no Litoral e preservação de espécies ameaçadas de extinção’’, completa.

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