O herbário do Centro de Ciências Biológicas (CCB) da Universidade Estadual de Londrina (UEL) descobriu nos últimos anos duas espécies de árvores nativas nos remanescentes de florestas semideciduais da região Norte do Paraná. Este tipo de floresta já cobriu quase 100 mil quilômetros quadrados, praticamente a metade do território do Estado, e hoje está reduzida a pequenas manchas nas imagens de satélite.
A primeira das espécies nativas foi encontrada no Parque Estadual Mata dos Godoy, em Londrina. Segundo a bióloga Ana Odete Santos Vieira, é uma leguminosa da família dos angicos, caviúna e olho pardo. A outra é uma boraginácea, pertencente à família do café de bugro e louro pardo, descoberta ano passado na fazenda Doralice, em Ibiporã, às margens do Rio Tibagi.
Para confirmar a novidade, os biológos do herbário consultaram especialistas nestes grupos de plantas. No caso da leguminosa, os pesquisadores da UEL recorreram a Aroldo Lima, do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. É ele inclusive quem vai apresentá-la ao mundo científico através de uma publicação. Neuza Taroba-Ranga, da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP-São José do Rio Preto), tirou a dúvida sobre a boraginácea e, em conjunto com a UEL, irá descrever a espécie. Até agora, as sementes das novas árvores ainda não germinaram no viveiro do CCB, por isso a universidade está preocupada em proteger a área em que elas foram identificadas.
Entre as descobertas recentes do herbário estão também a maytenus salicifolia e a siparuna glossostyla. Ambas são espécies já catalogadas, mas reconhecidamente existentes até o Estado de São Paulo. A primeira foi encontrada em vários municípios da região Norte. Ela é da família celastraceae, onde está incluída também a espinheira santa. A siparuna faz parte das monimiaceaes e, no Paraná, é verificada somente numa propriedade particular de Rancho Alegre.
Segundo a bióloga, as duas novas espécies demonstram que as florestas da região possuem mais diversidade do que se imagina. Além disso, poderão ser muito úteis ainda à química e biologia. O estudo de suas propriedades pode gerar avanços científicos valiosos que começam a ser almejados a partir de agora.
O objetivo deste herbário é listar as árvores da bacia do Rio Tibagi que passa por 52 municípios dentro do Estado. Desde 1985, ele já catalogou mais de 27 mil amostras representativas de todas as regiões do País. As coletas são feitas, pelo menos, uma vez por semana e as amostras são emprestadas para laboratórios até do exterior.

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