Biólogos acusam IAP de não defender pássaro
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quinta-feira, 07 de agosto de 1997
Curitiba 
Bianca ReinertPássaros pesam 10 gramas e canto lembra som de um tic-tac de relógioO pássaro bicudinho-do-brejo, mesmo tendo sido reconhecido pelo Ibama como espécie ameaçada de extinção e, portanto, rigorosamente protegida, não tem encontrado apoio do Instituto Ambiental do Paraná. A informação é dos ornitólogos Bianca Reinert e Marcos Bornschein, que descobriram a espécie e pesquisam seu comportamento.
Descoberto há dois anos, o bicudinho-do-brejo deveria ter garantida a sua proteção por lei. O Ibama incluiu o pássaro na lista de aves brasileiras ameaçadas de extinção. A espécie vive nas regiões de brejo do município de Matinhos, no Litoral do Paraná.
De acordo com as observações dos ornitólogos, o bicudinho-do-brejo vive exclusivamente nos brejos e se alimenta de insetos. Mas em Matinhos, as áreas ao redor dos banhados é habitada e as pessoas costumam jogar lixo e colocar fogo sem qualquer cuidado. Além disso, crianças caçam passarinhos indiscriminadamente, alerta Bianca.
Encaminhamos vários pedidos ao IAP para que fiscalizem a região mas obtivemos como resposta apenas que não havia gente suficiente para o trabalho, afirma.
As observações dos pesquisadores dão conta de que existem poucos indivíduos dessa espécie. Percorremos diariamente as faixas de banhado e já houve épocas em que ficamos mais de 90 dias sem localizar um bicudinho-do-brejo. A nossa preocupação diz respeito também à cultura de preservação que se concentra apenas em florestas, sem levar em conta campos e brejos, argumenta Bianca.
As características de comportamento do bicudinho-do-brejo são de um pássaro que defende seu território e divide com a fêmea os cuidados das crias.
Com apenas 10 gramas, as fêmeas têm o ventre pintado de branco e cinza chumbo e os machos são de coloração cinza. Eles têm cauda comprida e o canto lembra o som de um tic-tac de relógio.
IAP - O biológo da Diretoria de Biodiversidade do IAP Mauro Britto informa que a instituição está avaliando a criação de uma unidade de proteção integral ao bicudinho-do-brejo ou de uma reserva particular do patrimônio natural. Britto admite a dificuldade do IAP para fiscalizar a região do litoral. Segundo ele, nos postos de fiscalização de Paranaguá, Guaratuba, Morretes e Guaraqueçaba há de nove a 12 fiscais, que fazem fiscalizações genéricas. É difícil dirigir um grupo para um objetivo específico, diz, referindo-se à fiscalização dos brejos onde vive o bicudinho.


