Biólogo é recebido a tiro na mata do Godoy
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quarta-feira, 12 de fevereiro de 1997
Da Redação 
O biólogo Wlamir Rocha foi recebido a tiros na mata do Godoy quando iniciava suas pesquisas, por volta das 21 horas do último domingo. Os tiros devem ter partido de caçadores, pois os estampidos que ouvi eram de armas de chumbo, garantiu o biólogo. Ele estava acompanhado de sua noiva Margarete Sekiama, que ficou apavorada com os tiros e chegou a ter uma crise nervosa. O casal teve que esconder-se atrás de uma árvore e não saiu ferido. Wlamir registrou queixa na 10ª Subdivisão Policial (SDP). Ele disse que não conseguiu identificar os agressores por que já estava escuro.
A mata do Godoy é formada por 680 hectares de vegetação virgem e fica no patrimônio Regina (zona sul). A mata foi comprada pelo Estado do pioneiro Álvaro Lázaro de Godoy e foi transformada em reserva ecológica. Apesar de seu tamanho, a mata é guardada apenas por um funcionário do Instituto Ambiental do Paraná (IAP). O biólogo afirmou ser impossível uma pessoa apenas ficar responsável pelo local. De acordo com ele, o IAP prometeu aumentar o número de guardas.
A maior precupação de Wlamir Rocha são os animais em extinção que ainda vivem na mata do Godoy. Mais de 30 roedores fazem parte do ecossistema da mata. Ali existem animais que já desapareceram da fauna do Paraná e o local representa o seu último refúgio, explicou. Ele está preparando sua monografia para doutorado em biologia, cujo o tema são Os Mamíferos da Mata do Godoy. Na hora dos tiros ele estava fotografando animais e observando seus costumes durante a noite, quando procuram alimentos. O biólogo disse que a noiva o ajuda na pesquisa.
Além de registrar quaixa na 10ª SDP, ele esteve no IAP denunciando o que aconteceu. A Polícia Florestal também foi notificada. O crime contra fauna é classificado como hediondo. Quem for preso caçando animal silvestre pode ficar preso por seis anos - e não tem direito a fiança.


